Envolvido em uma disputa de propriedade com outras duas partes, o empresário é acusado de ter atirado em um caseiro que cuidava de um imóvel dentro da área disputada.
Após mais de 90 dias preso, na carceragem da cadeia municipal de Alta Floresta, o empresário Eder Rodrigues Ribeiro, também conhecido como Edinho Paiva, ainda não tem previsão de soltura.
Apesar de já ter conseguido um habeas corpus pela acusação de porte ilegal de armas, Edinho não conseguiu se livrar da acusação de tentativa de assassinato, prestada pela própria vítima que sobreviveu aos disparos e supostamente reconheceu seu agressor.
Edinho é filho do ex-deputado estadual por Alta Floresta, Osvaldo Rodrigues Paiva, que atuou politicamente entre os anos de 1987 a 1991, e herdou o legado político do pai, porém, apesar de ter tentado concorrer a vários cargos públicos, nunca conseguiu se eleger.
Durante as investigações, após a tentativa de assassinato de um caseiro, ocorrida na sede de uma escola pública, instalada na propriedade que é o motivo da disputa entre Edinho Paiva e um pecuarista de Paranaíta, duas armas foram achadas na residência de Edinho, um revólver e uma espingarda, que estão em poder da perícia para apurações forenses. As investigações foram conduzidas pela Dra. Paula Moreira, delegada titular de Paranaíta.
Em um trecho da ocorrência prestada pela vítima narra que: “a vítima contou que estava indo tomar banho, quando foi acertada por um tiro de espingarda, em seguida saltou por uma pequena cerca e se escondeu no escuro, que foi possível avistar o suspeito gordo e branco correndo em direção ao mato, segurando uma espingarda. Disse que o possível autor do fato se chama Edinho Paiva que é dono do condomínio náutico, que fica ao lado da sua casa. Que dias atrás ele teria o ameaçado de morte, dizendo que a casa em que ele vive, estava em cima de sua terra e que na tentativa de intimidar, ainda quebrou alguns móveis de sua residência…”
ENTENDA OS FATOS
Segundo informações, a área corresponde a 10 ha (100.000 mt²), e fica localizada no município de Paranaíta, às margens do Rio Paranaíta, e foi adquirida por Edinho Paiva para a implantação de um condomínio náutico.
Documentos do proprietário original, o pecuarista Higino Hildebrando Pitteli Junior, contestam a legalidade da venda que foi realizada, pois a matrícula do imóvel ainda consta no nome de Higino Pitelli e não foram transferidas a Edinho Paiva e nem ao terceiro envolvido, conhecido como João Cabeça, que repassou a Edinho Paiva uma área de 10 ha, comprada sem repasse de titularidade das mãos de Higino Pitelle.
Após a venda da área, o empresário Edinho Paiva foi autuado e multado em cerca de um milhão de reais pela Sema e Ibama por crime ambiental, o que acabou complicando ainda mais a situação e comprometendo a vida fiscal do pecuarista Higino Pitelli que ainda detém a titularidade do imóvel.
Apesar de haver um documento de compra e venda entre Higino e João Cabeça, nunca ocorreu o desmembramento da área e o repasse da titularidade, portanto, legalmente, a área pertence a Higino Pitelli que insiste que a demanda ambiental seja resolvida para só então legalizar a venda com João Cabeça.
Apesar de ter ciência de que a área não estava em posse de João Cabeça, e que ainda pertencia a Higino Pitelli, mesmo assim, Edinho Paiva assumiu o risco e pagou apenas a metade do valor acordado, exigindo posteriormente que a situação fosse legalizada entre Higino e João Cabeça para só então repassar o restante do pagamento.
A julgar pela demora do encarceramento, o empresário certamente terá sérios problemas a serem enfrentados por sua defesa e certamente será um processo bem demorado.
