Um artigo de opinião publicado neste domingo (10) pelo jornal norte-americano The Wall Street Journal (WSJ) afirma que o Supremo Tribunal Federal (STF) e o ministro Alexandre de Moraes estariam conduzindo “um golpe de Estado” contra a democracia brasileira. O texto, assinado pela colunista Mary Anastasia O’Grady, figura entre os mais lidos da edição on-line do periódico.
No artigo, O’Grady sustenta que Moraes teria adotado medidas como censura a opositores, ordens de prisão e abertura de inquéritos sigilosos “sem controle institucional”. Segundo a colunista, esses procedimentos configurariam uma ameaça aos direitos civis e ao equilíbrio entre Poderes no país.
Comparação com líderes autoritários
A autora compara a atuação do ministro a estratégias de governantes latino-americanos do século XXI. Ela cita Hugo Chávez, ex-presidente da Venezuela, como exemplo de líder que, enquanto gozava de popularidade, teria consolidado poder sobre instituições democráticas para, posteriormente, reprimir adversários políticos. O’Grady argumenta que, de forma semelhante, Moraes utilizaria o aparato judicial para enfraquecer a oposição e controlar o debate público.
Censura e prisões
Entre os episódios mencionados estão decisões que determinaram a remoção de perfis em redes sociais e a prisão de críticos do STF. A colunista descreve esses atos como “intimidação” e aponta falta de transparência nos inquéritos supervisionados pelo ministro. De acordo com o texto, tais processos transcorrem sob sigilo, limitando o acesso da sociedade e de outras instituições de controle às informações.
Repercussão interna
Embora cite reações pontuais de organizações da sociedade civil, o artigo destaca a “ausência de resposta contundente” de parte da imprensa brasileira, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e de órgãos de controle. Para O’Grady, esse silêncio contribuiria para o avanço das ações que ela descreve como autoritárias.
Contexto político
Alexandre de Moraes é ministro do STF desde 2017 e atualmente preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele ganhou protagonismo em investigações sobre disseminação de notícias falsas e ataques às instituições democráticas. Críticos apontam excesso de poder concentrado em suas decisões, enquanto apoiadores defendem que as medidas visam proteger o Estado de Direito contra ameaças antidemocráticas.
Apesar das acusações expostas pelo Wall Street Journal, até o momento não houve manifestação oficial do STF ou do ministro sobre o conteúdo do artigo. O texto de O’Grady encerra afirmando que a pressão internacional pode ser decisiva para preservar as liberdades civis no Brasil.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de MatoGrossoAoVivo
