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Projeto na Câmara de Cuiabá abre caminho para reeleição de Paula Calil na presidência

Projeto na Câmara de Cuiabá abre caminho para reeleição de Paula Calil na presidência

Mudança no regimento interno da Câmara de Cuiabá

O vereador Marcus Brito Júnior (PV) protocolou nesta terça-feira (23) um Projeto de Resolução que visa alterar o Regimento Interno da Câmara Municipal de Cuiabá. A proposta tem como objetivo principal autorizar a reeleição de membros da Mesa Diretora dentro da mesma legislatura, uma manobra que atende diretamente aos interesses da atual presidente da Casa, Paula Calil (PL).

Atualmente, o parágrafo 2º do artigo 23 da Resolução nº 008/2016 impede que parlamentares ocupem os mesmos cargos na Mesa Diretora em biênios consecutivos. Caso o novo texto seja aprovado, a norma passará a permitir expressamente a recondução sucessiva para o mesmo posto, alterando a dinâmica política do Legislativo cuiabano.

Impacto nas articulações políticas

A movimentação de Marcus Brito Júnior ocorre em um momento de intensa disputa interna. Além de Paula Calil, os vereadores Dilemário Alencar (União) e Ilde Taques (Podemos) também articulam candidaturas para a sucessão na presidência. Antes da apresentação do projeto, Dilemário Alencar havia confirmado um acordo com o bloco liderado por Paula Calil, prevendo que, caso a reeleição dela não fosse viabilizada juridicamente até 15 de julho, o grupo apoiaria o seu nome.

A apresentação da proposta de alteração regimental altera o cenário, pois a mudança exige o voto de dois terços dos parlamentares, totalizando 18 votos favoráveis. A estratégia coloca em xeque os acordos prévios que dependiam da impossibilidade jurídica da atual presidente em concorrer novamente ao cargo.

Fundamentação jurídica e divergências

Na justificativa do projeto, Marcus Brito Júnior busca respaldo em decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), citando a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 6717, de Mato Grosso. O parlamentar argumenta que a jurisprudência da Corte permite uma única reeleição sucessiva para o mesmo cargo, buscando assim blindar a proposta contra questionamentos judiciais.

O clima no parlamento é de tensão, com outros projetos em tramitação que divergem sobre o cronograma eleitoral. A vereadora Maysa Leão (Republicanos) propôs o adiantamento do pleito para 1º de outubro, visando um período maior de transição. Em contrapartida, o vereador Mário Nadaf (PV) defende o adiamento da votação para 5 de novembro, citando o risco de anulação, como ocorreu recentemente na Câmara Municipal de Várzea Grande, onde o STF, por meio do ministro Dias Toffoli, anulou a eleição que reconduziu o vereador Wanderley Cerqueira (MDB).

Todas as propostas aguardam agora a análise das comissões internas da Câmara de Cuiabá antes de seguirem para votação definitiva em Plenário. Para mais informações sobre o cenário político local, acesse o portal RepórterMT.

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