A pecuária bovina brasileira enfrenta um desafio sanitário crescente que coloca em risco a eficiência produtiva e a rentabilidade do setor. A resistência parasitária, fenômeno em que vermes e carrapatos deixam de responder a tratamentos convencionais, tem se tornado um obstáculo crítico, com estimativas de prejuízos anuais que alcançam a marca de R$ 70 bilhões. O problema, diretamente ligado ao uso inadequado de antiparasitários, exige uma mudança urgente nas práticas de manejo adotadas no campo.
pecuária: cenário e impactos
Disseminação da resistência em rebanhos nacionais
Estudos técnicos confirmam que a resistência de parasitas já é uma realidade consolidada em diversas regiões do Brasil. Espécies de vermes gastrointestinais, como Haemonchus, Cooperia, Trichostrongylus e Oesophagostomum, apresentam níveis preocupantes de tolerância a diferentes classes de vermífugos. A situação é ainda mais grave no controle do carrapato bovino, especialmente no Rio Grande do Sul, onde 95% das amostras analisadas revelaram resistência a pelo menos um tipo de carrapaticida, enquanto 45% dos casos mostraram ineficácia de quatro ou mais produtos distintos.
Impactos na competitividade do setor exportador
O avanço desse cenário ocorre em um momento de protagonismo do Brasil no mercado internacional de proteína animal. No primeiro trimestre deste ano, o país superou a marca de 700 mil toneladas de carne bovina exportadas, um crescimento próximo de 20% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Especialistas alertam que a perda de eficácia no controle sanitário compromete o desempenho zootécnico dos animais, reduzindo o ganho de peso e a eficiência alimentar, fatores que podem afetar a competitividade do produto brasileiro no exterior.
Erros no manejo e a pressão de seleção
Segundo Elio Moro, médico veterinário e gerente técnico da Zoetis Brasil, a raiz do problema está na pressão de seleção exercida pelo uso incorreto de medicamentos. A aplicação frequente de fármacos sem critério técnico, o uso de dosagens imprecisas, a administração desnecessária em categorias específicas e a escolha inadequada de princípios ativos são os principais fatores que aceleram a resistência. O especialista reforça que o desafio atual é preservar a eficácia das moléculas disponíveis por meio de uma abordagem estratégica, focada em prevenção e monitoramento constante.
Estratégias integradas para a sustentabilidade produtiva
Para conter o avanço da resistência, o setor tem buscado a implementação de protocolos de controle mais integrados. Entre as recomendações técnicas, destaca-se o uso de produtos que combinam diferentes princípios ativos, capazes de ampliar o espectro de ação e atingir cepas resistentes. Soluções como o Valcor são apontadas como alternativas para mitigar perdas produtivas. O sucesso do controle sanitário, contudo, depende de uma gestão contínua que envolva o diagnóstico preciso da carga parasitária, a rotação planejada de princípios ativos e o manejo rigoroso das pastagens, garantindo assim a longevidade da produtividade pecuária nacional.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Portal do Agronegócio
