Militantes de esquerda promoveram uma celebração na Praça da Mandioca, em Cuiabá, na noite de sábado (23), após a decretação da prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O ato foi registrado em vídeo pela ex-vereadora e suplente de deputada estadual Edna Sampaio (PT). Nas imagens, dezenas de pessoas aparecem sorrindo, sambando, trocando abraços e bebendo cerveja. Uma faixa com os dizeres “Bolsonaro na cadeia” foi estendida em frente ao grupo, que também entoou trechos da música “Festeja”, de Beth Carvalho, adaptando o refrão para “você pagou com traição, Bolsonaro na prisão”. Fogos de artifício foram disparados durante a comemoração.
A prisão, determinada mais cedo pelo STF, gerou reações distintas no Estado. Enquanto o grupo na praça celebrava, políticos locais condenaram a medida, qualificando-a como perseguição e “injustiça” contra um ex-presidente que, segundo eles, é “honesto”.
Prisão preventiva
Bolsonaro estava em prisão domiciliar desde agosto, após descumprir medidas cautelares impostas pela Justiça. A conversão para o regime preventivo não se relaciona à condenação por tentativa de golpe, mas sim a outro inquérito: uma suposta tentativa de coação do Judiciário envolvendo pressões do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos. Na ocasião, o parlamentar defendeu anistia a bolsonaristas presos, além de sanções a ministros do STF e a países que, segundo ele, “perseguem conservadores”.
De acordo com a Polícia Federal, durante o interrogatório, Bolsonaro admitiu que tentou cortar a tornozeleira eletrônica “por curiosidade”. O ex-presidente permanece detido em uma sala da PF em Brasília, sem previsão de transferência para unidade prisional convencional.
Repercussão nacional
A decisão do ministro Moraes teve ampla repercussão em todo o país. Em Brasília, manifestantes contrários à detenção fizeram vigílias em frente ao Supremo, enquanto grupos favoráveis comemoraram em diferentes capitais. No Mato Grosso, a Praça da Mandioca tornou-se o principal ponto de encontro daqueles que apoiam a prisão.
Apesar de a comemoração ter sido pacífica, a polícia acompanhou à distância para evitar confrontos. Até o fechamento desta reportagem, a Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso não registrou incidentes relacionados ao ato.
O processo que resultou na prisão preventiva segue em segredo de Justiça. A defesa de Bolsonaro informou que pretende recorrer da decisão ainda nesta semana.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews
