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Empresário investigado na “Farra do INSS” movimentou R$ 1,2 milhão com empresas ligadas ao PCC

Brasília – Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam que o empresário Maurício Camisotti, alvo da Operação Sem Desconto, realizou transações que somam R$ 1,2 milhão com duas instituições suspeitas de vínculo com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Considerado pela Polícia Federal o controlador de três entidades envolvidas no esquema de descontos irregulares sobre benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Camisotti foi preso em 12 de setembro, junto com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como operador financeiro das fraudes.

Transferências na mira do Coaf

De acordo com os documentos do órgão de fiscalização financeira, Camisotti fez um repasse de R$ 568 mil à Guardiões Câmbio e Turismo. A casa de câmbio está formalmente registrada em nome de Valdecy Soares Coelho, morador de um apartamento de 38 m² no bairro do Brás, centro de São Paulo, cujo aluguel declarado é de R$ 1,3 mil.

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) acusa Valdecy e a Guardiões de atuarem como laranjas para lavar recursos de hotéis localizados na Cracolândia, área dominada por integrantes do PCC. Investigação da Polícia Civil aponta que a empresa movimentou R$ 100 milhões em dois anos, incluindo depósitos em espécie que chegaram a R$ 430 mil em uma única operação.

Outro registro do Coaf mostra que Camisotti recebeu R$ 518 mil do BK Bank, fintech que responde a investigações da Polícia Federal e do MPSP por integrar um esquema bilionário de fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, também associado à facção criminosa.

Funcionamento da fintech

Segundo a PF, o BK Bank centralizava movimentações de empresas de fachada ligadas ao comércio de combustíveis, operando um sistema de “conta bolsão” para ocultar a identidade de beneficiários finais. Entre 2020 e 2024, o volume não rastreável que circulou pela instituição ultrapassou R$ 46 bilhões. Somente entre 2022 e 2023 foram identificados 10,9 mil depósitos em dinheiro vivo, totalizando R$ 61 milhões.

A prática, destaca a PF, dificultava comunicações obrigatórias ao Coaf e bloqueios pelo Banco Central, permitindo ao grupo “blindar” valores obtidos em etapas de adulteração e distribuição de combustíveis.

Esquema bilionário no INSS

No centro da Operação Sem Desconto, desencadeada em abril, estão descontos indevidos aplicados diretamente em aposentadorias e pensões. A investigação aponta que as três entidades controladas por Camisotti faturaram mais de R$ 1 bilhão desde 2021. Empresas ligadas ao empresário transferiram ao menos R$ 25,5 milhões a Antônio Camilo Antunes, que, segundo os investigadores, distribuía recursos entre operadores e laranjas.

A defesa de Maurício Camisotti foi procurada, mas não se manifestou até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto para eventuais esclarecimentos.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Metrópoles

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