Brasília – A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira, mais uma etapa da Operação Sem Desconto, que apura fraudes em consignações do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A nova fase mira um esquema que, segundo os investigadores, desviava valores de aposentados por meio de convênios firmados entre entidades de classe e o órgão previdenciário. Entre os nomes mencionados no inquérito estão integrantes da família do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Documento obtido pela PF a partir do depoimento de uma testemunha que colaborou com as investigações cita Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do chefe do Executivo. O relato foi prestado por uma pessoa ligada ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como o articulador do esquema. Segundo a testemunha, Antunes utilizava empresas próprias para intermediar descontos autorizados em folha de pagamento de servidores e segurados, retendo porcentuais que acabavam fora do controle oficial.
Além de Lulinha, o inquérito também menciona José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente. Ele ocupa o cargo de diretor vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindinapi), uma das entidades sob investigação. O sindicato é suspeito de permitir a inclusão irregular de descontos em benefícios previdenciários, prática que teria sido viabilizada pelo grupo liderado por Antunes.
A ação desta terça contou com mandados de busca, apreensão e prisão em diferentes estados. Entre os detidos está Romeu Carvalho Antunes, filho de Antônio Carlos Camilo Antunes. De acordo com a Polícia Federal, ele participava da estrutura empresarial usada para recolher parte dos valores desviados.
A Operação Sem Desconto teve início em 2022 e já identificou movimentações de milhões de reais em contratos firmados com o INSS. Os investigadores afirmam que o grupo se apresentava como representante de associações de servidores, conseguindo acesso ao sistema de consignados para inserir descontos sem o consentimento dos beneficiários ou acima dos limites autorizados.
Os crimes apurados incluem estelionato, corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A PF informou que seguirá analisando documentos apreendidos e que novas diligências não estão descartadas.
Até o momento, a defesa de Fábio Luís Lula da Silva e de José Ferreira da Silva não se pronunciou sobre as citações. O Palácio do Planalto também não comentou a operação. A reportagem não conseguiu contato com representantes do Sindinapi nem com os advogados de Antônio Carlos Camilo Antunes.
Nesta fase, os mandados foram expedidos pela 10.ª Vara Criminal Federal de Brasília. A investigação segue sob sigilo.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de MatoGrossoAoVivo
