A tragédia de Brumadinho, que completou sete anos em 25 de janeiro de 2024, foi relembrada neste domingo (25) por meio de um ato simbólico na Avenida Paulista, em São Paulo. O evento destacou a urgência de justiça para as 272 vítimas do rompimento da barragem da mineradora Vale e a importância da conscientização ambiental para as futuras gerações.
Organizado pelo Instituto Camila e Luiz Taliberti, o ato teve como figura central Helena Taliberti, mãe de Camila e Luiz, que morreram no desastre. Ambos estavam hospedados na Pousada Nova Estância, completamente devastada pela lama de rejeitos. A família de Helena sofreu perdas ainda maiores, incluindo sua nora, Fernanda Damian, que estava grávida de cinco meses, além de seu ex-marido e a então esposa dele.
Homenagem e Conscientização
Durante a manifestação, crianças manusearam argila para criar pequenos vasos, simbolizando o plantio de sementes e a esperança no futuro, conforme a visão de Helena Taliberti. Com lágrimas nos olhos, ela expressou à Agência Brasil a dor pela perda dos netos, mas reforçou seu compromisso com a educação ambiental das novas gerações.
“As crianças são o nosso futuro”, declarou Helena. Ela ressaltou que a preocupação com o meio ambiente deve ir além de biomas distantes como a Amazônia e o Pantanal, e incluir a realidade urbana. A ativista destacou que São Paulo, embora incrustada na Mata Atlântica, possui apenas 12% de sua vegetação original, enfatizando a necessidade de “nichos de respiro do planeta” nas cidades para garantir sua viabilidade futura.
Às 12h28, horário exato do rompimento da barragem há sete anos, uma sirene foi tocada na Avenida Paulista. O som serviu como um doloroso lembrete de que, em 25 de janeiro de 2019, o sistema de alerta de Brumadinho falhou em avisar a população sobre o iminente desastre. Helena Taliberti criticou a mineradora Vale, afirmando que as investigações revelaram que a empresa tinha conhecimento dos problemas estruturais da barragem e da necessidade de manutenção, que não foi realizada adequadamente.
“Aquela tragédia poderia ter sido evitada”, pontuou Helena. Ela argumentou que, se a sirene de alerta tivesse funcionado, muitas vidas poderiam ter sido salvas. A ativista também fez um paralelo com a tragédia de Mariana, ocorrida antes de Brumadinho, classificando-a como a “verdadeira sirene” que ninguém ouviu, e alertando para a importância de aprender com esses eventos para evitar repetições.
Justiça Lenta e Incompleta
Sete anos após a catástrofe, a falta de responsabilização criminal permanece uma frustração para as vítimas e seus familiares. Helena Taliberti lamentou que “a Justiça não foi feita”, pois ninguém foi criminalmente condenado pelo ocorrido. Atualmente, um processo tramita na Justiça mineira e deve julgar 15 pessoas envolvidas no episódio.
A reparação às vítimas também é vista como lenta e inadequada. Famílias que perderam suas casas, lavouras e animais ainda enfrentam dificuldades. “Não se pode reparar a morte de alguém”, ponderou Helena, “mas a reparação para os atingidos precisa acontecer. E também a justiça, para que as pessoas envolvidas sejam responsabilizadas pelo que fizeram.”
A ativista alertou que a impunidade serve como um precedente perigoso para a ocorrência de novas tragédias. “A impunidade é a porta para acontecer de novo. E a gente não pode permitir que isso aconteça de novo”, concluiu Helena Taliberti, reforçando o apelo por uma justiça efetiva que evite futuros desastres ambientais no Brasil.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de MatoGrossoAoVivo
