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Polícia Civil desarticula esquema milionário de lavagem de dinheiro de facção criminosa em operação interestadual

Polícia Civil desarticula esquema milionário de lavagem de dinheiro de facção criminosa em operação interestadual

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta-feira (25.6), a Operação Fluxo Oculto, uma ação de grande porte que visa desarticular um complexo esquema de lavagem de dinheiro e tráfico de drogas de uma facção criminosa com ramificações em diversos estados brasileiros. A operação resultou no cumprimento de 90 ordens judiciais em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro, marcando a terceira fase de uma investigação minuciosa conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Sinop.

Os mandados, expedidos pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias – Polo Sinop, incluíram 13 prisões, 19 buscas e apreensões, além de 58 outras medidas judiciais. Essas ações têm como objetivo principal avançar nas investigações e promover a desarticulação patrimonial e financeira do grupo criminoso. Em Mato Grosso, as diligências foram realizadas nas cidades de Sinop, Cláudia, Rondonópolis, Várzea Grande e Cuiabá, evidenciando a capilaridade da organização dentro do estado.

Mecanismos de Lavagem de Dinheiro e Alvos da Operação

Entre os principais alvos da Operação Fluxo Oculto estão três lideranças da facção, identificadas como coordenadoras das atividades ilícitas e responsáveis pela gestão financeira do grupo. A investigação abrange um total de 31 pessoas físicas e duas pessoas jurídicas, todas suspeitas de envolvimento direto ou indireto nas atividades criminosas. Para descapitalizar a facção, a Justiça determinou o bloqueio de ativos financeiros dos investigados, totalizando uma soma expressiva de R$ 9,3 milhões.

A estratégia de lavagem de dinheiro empregada pela facção era sofisticada. As investigações da Draco de Sinop revelaram que os criminosos utilizavam empresas legalmente constituídas para ocultar a origem ilícita dos recursos obtidos com o tráfico de drogas e conferir-lhes uma aparência de legalidade. Um dos estabelecimentos identificados foi um supermercado localizado no município de Cláudia, que, segundo as apurações, era usado para “esquentar” o dinheiro do crime, inserindo os valores ilícitos no sistema financeiro formal.

O delegado Eugênio Rudy Junior, responsável pelas investigações, destacou a complexidade do esquema. “As investigações demonstraram que a facção criminosa utilizava empresas legalmente constituídas para mascarar a origem ilícita dos valores obtidos com o tráfico de drogas. O objetivo era conferir aparência de legalidade ao dinheiro e permitir sua circulação no mercado formal, dificultando a atuação dos órgãos de persecução criminal”, afirmou o delegado. Além disso, as apurações indicaram que parte dos valores arrecadados com a venda de drogas em Mato Grosso era remetida para o estado do Rio de Janeiro, revelando uma rede estruturada para movimentação e distribuição dos recursos da facção.

Histórico das Investigações Contra a Facção

A Operação Fluxo Oculto é o desdobramento de uma investigação iniciada em 2025, quando a Draco de Sinop efetuou a prisão em flagrante de dois membros da facção em Cláudia. A partir daí, foi possível mapear a estrutura operacional do grupo, seus integrantes e os métodos utilizados para ocultar os lucros do tráfico.

Em março de 2026, a primeira fase ostensiva, denominada Operação Aurora Fronteiriça, resultou na apreensão de 525 quilos de cocaína e pasta base, uma das maiores apreensões de entorpecentes relacionadas a essa investigação. Pouco depois, em maio de 2026, a segunda fase, batizada de Operação Vinculum Sanguinis, apreendeu 25 quilos de pasta base de cocaína, R$ 169 mil em dinheiro, prendeu três pessoas e sequestrou mais de R$ 3 milhões em bens e valores dos investigados.

Com o progresso das diligências, a Draco constatou que a facção não se limitava ao tráfico de drogas em larga escala, mas mantinha uma elaborada estrutura financeira para ocultar e dissimular os recursos ilícitos. Essa descoberta impulsionou a terceira fase, a Operação Fluxo Oculto, focada na identificação dos responsáveis pela movimentação financeira, no rastreamento dos valores e na descapitalização do grupo. As investigações continuam com a análise do material apreendido e dos dados obtidos.

A Operação Fluxo Oculto integra o planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para 2026, inserida na Operação Pharus, parte do Programa Tolerância Zero, que visa combater facções criminosas em todo o estado.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão MT

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