O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “fazer defesa pública do crime organizado” após declarações do chefe do Executivo sobre o comércio de drogas. O embate ganhou força neste sábado, 25 de outubro de 2025, depois de entrevista coletiva concedida por Lula na Indonésia.
Durante a conversa com jornalistas, o presidente afirmou que “possivelmente fosse mais fácil combater os nossos viciados internamente” e acrescentou que “os usuários são responsáveis pelos traficantes, que são vítimas dos usuários também”. Segundo ele, “há gente que vende porque há gente que compra”. A fala gerou repercussão imediata entre opositores.
Em entrevista na capital mato-grossense, Abilio avaliou que o pronunciamento minimiza a ação de organizações criminosas. “Não surpreende Lula defender o tráfico que acontece na Venezuela e criticar o combate dos Estados Unidos. Ele faz uma defesa pública do crime organizado”, disparou o prefeito. Para ele, o discurso é ainda mais grave por ter sido feito “em território estrangeiro” enquanto Lula representa o Brasil.
O gestor cuiabano disse lamentar a situação: “Nosso país não coaduna com isso. O Estado de Mato Grosso não coaduna com isso, e Cuiabá também não faz parte desse processo”. Ele concluiu pedindo postura firme do governo federal contra o tráfico.
Retratação presidencial
Diante da repercussão negativa, Lula utilizou as redes sociais para se retratar, classificando o comentário como uma “frase mal colocada”. O presidente reforçou posicionamento contrário a traficantes e ao crime organizado. “Mais importante do que as palavras são as ações que meu governo vem realizando, como a maior operação da história contra o crime organizado, o encaminhamento da PEC da Segurança Pública ao Congresso e os recordes na apreensão de drogas”, escreveu.
O petista garantiu que a administração federal continuará “firme no enfrentamento ao tráfico de drogas”. Até o momento, o Palácio do Planalto não comentou especificamente as críticas feitas pelo prefeito de Cuiabá.
Abilio, eleito em 2024 para comandar a capital mato-grossense, tem mantido posição de oposição ao governo Lula. Já o presidente, que cumpre agenda oficial na Ásia, segue defendendo que políticas públicas de saúde e educação sejam aliadas ao combate à criminalidade ligada ao narcotráfico.
Não há previsão de encontro entre os dois políticos para discutir o tema. Nos bastidores, líderes governistas avaliam que a tensão deve permanecer restrita ao campo retórico, enquanto a pauta da segurança pública avança no Congresso.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews
