O promotor de Justiça Lincoln Gakiya afirmou que a facção Primeiro Comando da Capital (PCC) retomou um antigo plano para assassiná-lo, o mesmo que incluía como alvos o ex-delegado-geral de São Paulo Ruy Ferraz Fontes – morto em 15 de setembro no litoral paulista – e o coordenador de presídios Roberto Medina. A declaração foi dada nesta sexta-feira (24), durante coletiva na sede do Ministério Público de São Paulo (MPSP).
De acordo com Gakiya, drones foram utilizados para sobrevoar sua residência há cerca de três semanas, mostrando o nível de sofisticação empregado pela célula criminosa responsável pelo levantamento de informações sobre sua rotina. “Havia prints de mapas com o trajeto do meu condomínio até o trabalho e também da ida à academia”, relatou o promotor.
Operação Recon cumpre mandados no interior paulista
Na manhã desta sexta, o MPSP e a Polícia Civil deflagraram a Operação Recon, que mira integrantes do PCC suspeitos de participar da fase de reconhecimento do plano. Foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão em sete municípios do oeste paulista: Presidente Prudente (11), Álvares Machado (6), Martinópolis (2), Pirapozinho (2), Presidente Venceslau (2), Presidente Bernardes (1) e Santo Anastácio (1).
Segundo a investigação, a facção estruturou uma célula “altamente disciplinada e compartimentada”, na qual cada membro tinha função específica sem acesso ao desenho completo da ação criminosa. Esse método buscava dificultar a identificação dos responsáveis pelas diferentes etapas, como vigilância, logística e execução.
Criminosos já presos
Gakiya explicou que parte dos envolvidos na coleta de informações foi presa antes de avançar à fase seguinte do atentado. “O plano ficou parado durante alguns anos, mas voltou a correr a partir de junho, quando notamos o mesmo tipo de monitoramento observado contra o doutor Ruy e o Medina”, disse.
O promotor lamentou que Ruy Ferraz Fontes não tenha recebido a mesma proteção. O ex-delegado-geral foi executado em uma emboscada em Bertioga, litoral de São Paulo, após deixar um quiosque. As autoridades apuram se a ação de setembro concretizou parte da estratégia revelada hoje.
Sintonia dos 14 já havia ordenado morte de delegado em 2019
Em 2019, a polícia interceptou uma carta atribuída à Sintonia dos 14, braço deliberativo do PCC, determinando o assassinato de Fontes e de outros dois policiais civis. O documento apontava ordens vindas de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder da facção que fora transferido para um regime prisional mais rígido graças à atuação do então delegado-geral.
A nova ofensiva indica que, apesar das prisões e do reforço na segurança de autoridades, a organização criminosa mantém capacidade de planejar atentados contra agentes públicos considerados obstáculos aos seus interesses dentro e fora dos presídios.
O material apreendido na Operação Recon será periciado para identificar os responsáveis pela etapa de execução e confirmar a abrangência dos alvos monitorados. O MPSP não informou se houve prisão de novos suspeitos nesta fase.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews
