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Historiador lista três atos de D. Pedro I que teriam lesado o Brasil

O professor Luiz Henrique Lima reuniu em artigo os principais episódios que, segundo ele, representam “traições” de Dom Pedro I ao Brasil. O texto recorda três decisões do imperador que, na avaliação do autor, deixaram marcas políticas, econômicas e institucionais ainda perceptíveis no país.

Primeiro episódio: dissolução da Assembleia em 1823

De acordo com Lima, o primeiro revés ocorreu em 12 de novembro de 1823, quando o então imperador mandou fechar a Assembleia Constituinte, instalada poucos meses antes para redigir a primeira Constituição do Estado recém-independente. Tropas de origem portuguesa cercaram o prédio, líderes políticos—including José Bonifácio de Andrada e Silva—foram presos ou enviados ao exílio, e o projeto de Carta Magna foi interrompido. Em seu lugar, Dom Pedro I promulgou, em 1824, uma Constituição elaborada por um Conselho de Estado nomeado por ele próprio, documento descrito pelo articulista como centralizador e escravista, além de conferir ao monarca o chamado “Poder Moderador”, prerrogativa que colocava o imperador acima dos demais poderes.

Segundo episódio: Tratado de 1825 transfere dívidas portuguesas

O segundo ato citado é a assinatura, em 29 de agosto de 1825, do Tratado de Paz e Aliança com Portugal. Pelo acordo, o Brasil indenizou a antiga metrópole em 2 milhões de libras esterlinas—cerca de 15 toneladas de ouro à época—e assumiu outra dívida portuguesa com a Inglaterra, avaliada em 1,4 milhão de libras. O documento, segundo Lima, foi mantido em sigilo e representou a origem da dívida externa brasileira. O passivo, somado a juros sucessivos, só seria liquidado em 1940 pelo governo Getúlio Vargas e mediante exportação de produtos primários, como café e minérios.

Terceiro episódio: abdicação e partida em 1831

O autor aponta ainda a abdicação de Dom Pedro I, em 7 de abril de 1831, como a terceira traição. Ao renunciar em favor do filho de apenas cinco anos, o imperador deixou o país sem liderança madura, em meio a dificuldades financeiras e conflitos regionais. Lima menciona a falência do Banco do Brasil, derrotas militares na Cisplatina (atual Uruguai) e o assassinato não esclarecido do jornalista oposicionista Líbero Badaró como parte do cenário que antecedeu a saída do monarca. Após abdicar, Dom Pedro I embarcou em um navio britânico rumo à Europa, onde se envolveria em disputa pelo trono português contra o próprio irmão, Dom Miguel.

Impactos apontados pelo artigo

Para Luiz Henrique Lima, os três episódios legaram ao país um padrão de autoritarismo político, endividamento externo duradouro e instabilidade institucional. O professor observa que, enquanto nações como Chile, Costa Rica e Holanda já haviam abolido a escravidão na década de 1820, o Brasil manteve o sistema até 1888 sob uma Constituição que dava poderes amplos ao imperador. Ele acrescenta que práticas centralizadoras nascidas no período continuariam a influenciar governantes posteriores.

O texto conclui que Dom Pedro I, proclamado “defensor perpétuo” da nação em 1822, abandonou compromissos com a liberdade, a soberania e a ética ao priorizar interesses pessoais e dinásticos durante a década em que governou o Brasil.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews

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