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Saída de Tarcísio do páreo agrava cenário eleitoral de Lula

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi informado, na última semana, de que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não disputará a Presidência da República em 2026. O recuo do ex-ministro da Infraestrutura foi recebido no Palácio do Planalto como um revés estratégico para o projeto de reeleição do chefe do Executivo.

Lula declarou publicamente que pretende concorrer a um novo mandato a fim de impedir que o comando do Planalto seja transferido para um nome da direita. O petista acompanha pessoalmente as pesquisas de intenção de voto e, segundo auxiliares, avalia que a permanência de Tarcísio na disputa ajudaria a manter o campo adversário fragmentado, favorecendo sua competitividade.

Preocupação no núcleo petista

No entorno presidencial, a leitura é de que a desistência precoce do governador paulista altera o equilíbrio das sondagens. Dirigentes do PT e de legendas aliadas temem que parte significativa do eleitorado de Tarcísio migre imediatamente para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Estimativas internas apontam que entre 60% e 70% dos votos atribuídos a Tarcísio podem ser transferidos para Flávio, hipótese que, se confirmada, colocaria Lula em desvantagem nas principais pesquisas já no primeiro trimestre de 2024. A expectativa inicial era de que Tarcísio e Flávio permanecessem nos levantamentos até pelo menos abril, dividindo o eleitorado conservador e mantendo o petista competitivo.

Avaliações negativas do governo

Além do rearranjo de nomes na direita, pesa contra o Planalto o desempenho das pastas federais. Desde o início do terceiro mandato, em janeiro de 2023, nenhum ministério foi apontado internamente como vitrine eleitoral consistente para um eventual “Lula 4”. Pesquisas qualitativas indicam desaprovação elevada em diversas regiões, reduzindo a margem de manobra para narrativas de recuperação nos próximos dois anos.

O mercado financeiro também expressa ceticismo em relação à continuidade do atual governo. De acordo com a avaliação dominante na região da Faria Lima, a possibilidade de reeleição é considerada improvável, percepção que já influencia projeções sobre o cenário pós-2026.

Falta de sucessor no PT

Outro ponto de tensão é a ausência de um nome alternativo dentro do próprio Partido dos Trabalhadores. Ao longo dos últimos anos, a sigla não estruturou liderança capaz de assumir protagonismo em eventual sucessão. Interlocutores atribuem a lacuna à estratégia histórica de Lula de concentrar capital político e evitar o surgimento de concorrentes internos.

Com o calendário eleitoral se aproximando, integrantes do PT reconhecem que não há tempo hábil para construir uma candidatura de peso fora da figura do presidente. A aposta, portanto, permanece na reeleição, mesmo diante dos indicadores desfavoráveis.

Próximas pesquisas

Aliados do governo aguardam com apreensão as rodadas de intenções de voto previstas para fevereiro e março. A avaliação no Planalto é de que a transferência de apoios após a saída de Tarcísio deve se refletir rapidamente nos levantamentos, podendo aprofundar a crise de expectativa em torno da candidatura petista.

Por ora, a ordem interna é intensificar a presença de Lula em agendas públicas e tentar apresentar resultados de governo capazes de neutralizar a perda de terreno nas sondagens. Assessores de comunicação também são orientados a reforçar a narrativa de que o presidente continua competitivo, apesar das recentes mudanças no tabuleiro eleitoral.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão Política

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