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PF investiga contratos da família Coelho em Petrolina

Recife – A Polícia Federal desencadeou nesta quarta-feira (25) a Operação Vassalos para apurar supostas fraudes em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo recursos de emendas parlamentares e termos de execução descentralizada destinados ao município de Petrolina (PE) e à Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).

Autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a ofensiva cumpriu 42 mandados de busca e apreensão em Pernambuco, Bahia, São Paulo, Goiás e Distrito Federal. Agentes estiveram na sede da Prefeitura de Petrolina e em endereços ligados a empresas que, segundo a investigação, receberam verbas federais com possível direcionamento político.

Família Coelho no foco

Os alvos incluem o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB) e dois de seus filhos: o deputado federal Fernando Filho (União Brasil-PE) e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil). Mandados foram cumpridos em uma empreiteira e em uma concessionária de veículos associadas ao grupo familiar.

De acordo com decisão judicial, o núcleo político investigado teria destinado recursos federais para fechar contratos com a Liga Engenharia Ltda., apontada como principal beneficiária dos repasses. Desde 2017, primeiro ano da gestão de Miguel Coelho, a empresa firmou 22 contratos com a Prefeitura de Petrolina e com a autarquia municipal de mobilidade, recebendo 158 empenhos que somam R$ 190,5 milhões — dos quais aproximadamente R$ 189,7 milhões já foram pagos.

Relatórios indicam que ao menos R$ 68,4 milhões têm origem confirmada em emendas articuladas pelos Coelho, enquanto outros R$ 26,2 milhões apresentam alta probabilidade de mesma procedência. Parte dos contratos foi custeada com verbas de convênios firmados junto à Codevasf.

Pessoas ligadas à empresa

O quadro societário da Liga Engenharia reúne Pedro Garcez de Souza, irmão da esposa de um primo de Miguel Coelho e de Fernando Filho, e Carlos Alberto Coelho Oliveira Neto, enteado da irmã de Fernando Bezerra Coelho. Antes de 2017, a construtora não havia prestado serviços a outros municípios pernambucanos nem atuado em Petrolina, segundo o processo.

Concessionária sob suspeita

A PF também investiga movimentações financeiras consideradas atípicas na Bari Automóveis Ltda., concessionária que tem como sócios-administradores Lauro José Viana Coelho Filho, José de Souza Coelho Neto e Diogo Pereira Leite Coelho, todos primos do ex-senador. Relatórios apontam a empresa como destinatária de valores pagos por terceiros em benefício de Fernando Bezerra Coelho, que, segundo a decisão, detém poder decisório sobre o negócio.

Defesas

Em nota, a defesa de Fernando Bezerra Coelho afirmou não ter tido acesso completo aos autos e disse que os mandados foram expedidos sem a devida fundamentação. Os advogados declararam que todos os recursos foram aplicados corretamente e que confiam na regularidade dos contratos.

Fernando Filho e Miguel Coelho divulgaram comunicado conjunto sustentando que parte dos fatos já foi analisada e arquivada pelo STF. Eles destacaram que a Procuradoria-Geral da República se manifestou contra as medidas solicitadas pela PF e classificaram a operação como motivada politicamente.

A Prefeitura de Petrolina informou ter atendido às solicitações “com total transparência” e ressaltou que os recursos questionados são instrumentos legais previstos na Constituição para investimentos públicos. Segundo a administração municipal, os repasses viabilizaram obras de pavimentação e recapeamento fiscalizadas por órgãos de controle, e não existe decisão judicial que aponte irregularidades na gestão.

As investigações continuam sob sigilo.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão Política

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