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The Economist relaciona ministros do STF a escândalo financeiro

A revista britânica The Economist divulgou nesta terça-feira (24) reportagem que associa integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) ao caso bilionário do Banco Master, envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. O texto descreve o episódio como um “enorme escândalo” com potencial de desgaste institucional em pleno ano eleitoral no Brasil.

Conexão com o Banco Master

Segundo a publicação, o ministro Dias Toffoli tornou-se personagem central nas discussões após ser sorteado relator do processo que investiga o grupo financeiro. A revista aponta que Toffoli teria viajado em jato particular ao lado de advogado ligado ao banco, abreviado prazos para depoimentos e limitado o acesso da Polícia Federal (PF) a documentos apreendidos — decisão depois revertida.

O artigo menciona ainda investimento de Vorcaro em um resort pertencente aos irmãos de Toffoli, empreendimento do qual o ministro participa. Após a PF confiscar o celular do banqueiro, um relatório reservado teria sido encaminhado ao presidente do STF apontando possível conflito de interesses, com transações de R$ 20 milhões direcionadas a empresa conectada ao magistrado. Toffoli nega qualquer irregularidade, afirma que os valores foram declarados ao Fisco e acabou se afastando da relatoria.

Ações de Alexandre de Moraes

Outro foco da matéria é o ministro Alexandre de Moraes. A revista relata contrato considerado atípico entre a esposa do ministro e o Banco Master. Após suspeitas de vazamento de dados fiscais, Moraes determinou operação contra servidores da Receita Federal, que incluiu buscas, tornozeleiras eletrônicas e restrição de viagens.

The Economist questiona o uso do chamado inquérito das fake news, conduzido por Moraes desde 2019. Para a revista, o procedimento, que tramita sob sigilo, teria sido aplicado além do escopo original ao investigar os servidores da Receita.

Menções a outros ministros

O texto também cita o evento anual organizado pelo ministro Gilmar Mendes em Lisboa, apelidado de “Gilmarpalooza”, que reúne autoridades e empresários com processos em tramitação na Corte. A reportagem recorda que instituição acadêmica ligada a Mendes recebeu aporte financeiro da J&F, controladora da JBS.

Advocacia de familiares

A revista destaca levantamento do jornal O Estado de S. Paulo apontando 1.860 processos no STF e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) em que parentes de ministros atuam como advogados principais — em 70% das ações, a participação começou após a nomeação do familiar ao tribunal. O escritório da mulher de Moraes, que administra a banca com os dois filhos, ilustra o cenário: antes da posse do ministro, em 2017, o grupo possuía 27 processos nessas Cortes.

Reação do Supremo

Diante das críticas, o presidente do STF, Edson Fachin, sugeriu a criação de um código de ética interno, com a ministra Cármen Lúcia participando da elaboração. A proposta pretende definir regras sobre conflito de interesses e transparência patrimonial, mas encontrou resistência pública de Toffoli e Moraes, que consideram a medida desnecessária.

Contexto político

The Economist observa que o debate ocorre em ano de eleições gerais. Projeções indicam que candidatos de direita podem conquistar ampla maioria no Senado em outubro, abrindo possibilidade de pedidos de impeachment contra ministros do STF. O texto ressalta a tensão entre a Corte e esse espectro político desde a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe.

A revista conclui que a imagem do STF ficou mais vulnerável a críticas externas e internas, enquanto as relações entre magistrados, empresários e familiares seguem sob escrutínio.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão Política

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