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Filme “O Aprendiz” escancara polêmicas do passado de Donald Trump e gera reação do ex-presidente

O longa-metragem O Aprendiz, dirigido pelo iraniano Ali Abbasi e com lançamento previsto para 2024, revive episódios conturbados da juventude empresarial de Donald Trump e provocou rápida resposta do ex-presidente dos Estados Unidos. Em mensagem publicada nas redes sociais, Trump classificou a obra como “trabalho barato, difamatório e politicamente nojento”, dizendo que o filme foi planejado para prejudicá-lo às vésperas da eleição presidencial de 2024.

Retrato do início da carreira

Ambientado nas décadas de 1970 e 1980, o roteiro acompanha a ascensão do então jovem empresário nova-iorquino. O filme destaca três temas centrais: a influência do advogado Roy Cohn, o turbulento casamento com Ivana Zelníčková e o distanciamento de Trump durante a doença que levou Cohn à morte.

Relação com Roy Cohn

No longa, Roy Cohn é interpretado por Jeremy Strong e surge como mentor decisivo de Trump. O primeiro encontro acontece em 1973, em um clube de Manhattan, logo após Trump enfrentar um processo federal por práticas discriminatórias em imóveis da família. Conhecido pelo estilo combativo e pela proximidade com figuras poderosas, Cohn — ex-promotor do caso Rosenberg e braço direito do senador Joseph McCarthy nas investigações anticomunistas — passa a orientar o empresário sobre mídia, política e processos judiciais.

Segundo o jornalista Gabriel Sherman, cuja pesquisa inspirou parte do roteiro, a relação entre os dois lembrava a de pai e filho. Sherman revelou ainda que muitos amantes de Cohn eram homens jovens, loiros e de olhos azuis, característica que, de acordo com ele, lembrava a aparência de Trump na época.

Conflitos com Ivana Trump

Outro ponto de tensão mostrado em O Aprendiz é o casamento de Donald Trump com a modelo tcheca Ivana Zelníčková, realizado em 1977. O filme sugere que o crescimento profissional de Ivana — que também atuava nos negócios da família — incomodava o marido, levando o casal a uma disputa velada dentro e fora do ambiente de trabalho.

Em uma das sequências mais fortes, Trump afirma ter perdido a atração pela esposa e, após discussão, a empurra no chão e a agride sexualmente. A cena foi baseada em depoimento de Ivana dado sob juramento durante o processo de divórcio em 1990, publicado pelo jornal The Sun. Gabriel Sherman destacou que o relato registrado nos autos era “ainda mais gráfico e brutal” do que o mostrado na tela.

Últimos dias de Roy Cohn

Roy Cohn morreu em 2 de agosto de 1986, aos 59 anos, vítima de complicações da Aids. A produção retrata que, à medida que a doença avançava, Trump se afastou do ex-mentor. Wayne Barrett, então repórter investigativo do Village Voice, afirmou ter ouvido de Cohn que se sentia traído: “Não posso acreditar que ele está fazendo isso comigo. Donald mija água gelada”, teria dito o advogado.

Reação política

Com a repercussão dos episódios exibidos, Trump reforçou que pretende processar os responsáveis pelo filme. Ele argumenta que as acusações apresentadas são falsas e que a narrativa tem motivação política. A equipe de produção não comentou oficialmente as ameaças jurídicas, mas fontes ligadas ao projeto afirmam que o roteiro se baseia em documentos públicos, depoimentos judiciais e entrevistas de arquivo.

Apesar das críticas, O Aprendiz segue com estreia mantida para 2024 e já desperta atenção no circuito de festivais internacionais, alimentando o debate sobre a influência de biografias cinematográficas em processos eleitorais.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Metrópoles

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