Uma médica residente da Maternidade Therezinha de Jesus, em Juiz de Fora (MG), foi afastada de suas atividades após publicar nas redes sociais uma mensagem sugerindo que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) fosse alvo de facada. A medida foi confirmada pela direção do hospital nesta segunda-feira (data não divulgada), que classificou a postagem como “manifestação de incitação à violência” e declarou não compactuar com esse tipo de conduta.
Em nota, a instituição explicou que o desligamento temporário tem caráter preventivo enquanto avalia as circunstâncias e as consequências do episódio. O hospital não detalhou quanto tempo durará o afastamento nem se a residente poderá retomar suas funções.
Repercussão política
A declaração ganhou ampla divulgação entre apoiadores do parlamentar mineiro, que lembraram o atentado a faca contra o então candidato à Presidência Jair Bolsonaro em 2018, também em Juiz de Fora. Nas redes sociais, deputados aliados de Nikolas cobraram providências judiciais e exigiram que conselhos profissionais analisem a conduta da médica.
Até o momento, Nikolas Ferreira não se pronunciou publicamente sobre o caso. Assessores do congressista confirmaram que ele acompanha a situação, mas não disseram se o parlamentar irá registrar ocorrência policial ou tomar medidas legais.
Sem investigação formal anunciada
Não há registros, até a publicação desta reportagem, de abertura de inquérito policial ou procedimento disciplinar pelo Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG). O CRM foi procurado, mas informou que somente se manifestará se receber denúncia formal.
Especialistas ouvidos por diferentes veículos lembram que profissionais de saúde estão sujeitos a normas éticas que proíbem qualquer incentivo à violência, dentro ou fora do ambiente hospitalar. A divulgação da postagem volta a acender discussões sobre os limites da liberdade de expressão nas redes sociais e a responsabilidade de médicos e demais servidores públicos quando se manifestam em plataformas digitais.
Contexto do hospital
A Maternidade Therezinha de Jesus é mantida pela Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá e funciona como hospital-escola para alunos de medicina. Em comunicado interno, a superintendência reforçou que preza pela “conduta ética, respeito e empatia” e que qualquer violação a esses princípios será tratada com “rigor”.
Familiares da profissional não comentaram o caso. Colegas de residência ouvidos sob reserva afirmaram que o clima no hospital é de apreensão, mas que as atividades assistenciais continuam normalmente.
O episódio permanece em análise pelas instâncias administrativas do hospital, enquanto novas ações — judiciais ou disciplinares — dependem de eventual representação do deputado ou de órgãos de classe.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de MatoGrossoAoVivo
