Os embarques de açúcar no Brasil permanecem intensos, confirmando a sólida procura internacional, ainda que com sinais de acomodação em comparação ao desempenho observado em 2024. Levantamento da Williams Brasil indica que, até 22 de outubro, 86 navios aguardavam para carregar o produto nos portos nacionais, quatro a menos que na semana anterior, quando havia 90 embarcações na fila.
De acordo com a consultoria, estão programadas exportações de 3,39 milhões de toneladas de açúcar até o início de janeiro. O Porto de Santos (SP) lidera as operações, com previsão de embarcar 2,11 milhões de toneladas. Na sequência aparecem Paranaguá (PR), São Sebastião (SP), Maceió (AL), Recife (PE), Suape (PE) e Imbituba (SC), que juntos completam o cronograma.
O levantamento considera navios já ancorados, em espera ou com chegada prevista até o começo de 2026, refletindo contratos firmados antecipadamente pelas tradings. O açúcar do tipo VHP segue dominante, respondendo por mais de 3 milhões de toneladas. Também há volumes menores de Cristal B150, TBC e VHP ensacado.
Sinal amarelo nos preços externos
Apesar da boa movimentação logística, o mercado sente o impacto de cotações menos favoráveis. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, em outubro, o preço médio do açúcar brasileiro exportado foi de US$ 412,20 por tonelada, queda de 13,3% em relação ao mesmo mês de 2024.
Essa desvalorização reduziu a receita diária média para US$ 74 milhões, recuo de 8,1% na comparação anual. Em sentido oposto, o volume diário embarcado aumentou 5,9% e chegou a 179,6 mil toneladas, evidenciando que a demanda externa continua firme, mas a remuneração por tonelada perdeu força.
Produtor monitora custos
Com um quadro de fretes disputados e preços mais baixos na bolsa internacional, a rentabilidade do setor fica pressionada. Especialistas apontam que a combinação de câmbio, custo de produção e logística será determinante para definir a margem das usinas nesta entressafra. Enquanto isso, o fluxo de navios nos principais portos brasileiros revela que o país segue aproveitando sua competitividade para atender mercados da Ásia, Oriente Médio e África.
Para as próximas semanas, a expectativa é de continuidade dos embarques em ritmo elevado, ainda concentrados no VHP, mas com os operadores atentos às oscilações de preços em Nova York e às negociações de novos contratos.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Pensar Agro
