A 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) abriu espaço para a realidade aumentada demonstrar seu potencial educacional. Até domingo (26), na Esplanada dos Ministérios, em Brasília (DF), o público conhece de perto o Projeto RA nas Escolas, iniciativa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) que utiliza imagens virtuais sobrepostas ao mundo real para facilitar o aprendizado.
Criado em 2018, o projeto passou a contar com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em 2023 e chega à feira pelo segundo ano seguido, agora no estande Pop Ciência. O objetivo, explica a coordenadora Eliane Pozzebon, é tornar o ensino mais acessível e envolvente. “Queremos que qualquer professor, em qualquer região do País, tenha condições de utilizar a tecnologia”, afirmou.
Cartas, QR Codes e interação em sala de aula
O material mais procurado no estande é um conjunto de cartas ilustradas com órgãos humanos, vírus, células, planetas e outros temas. Cada carta traz um QR Code que, ao ser escaneado pelo aplicativo gratuito Zappar, projeta o modelo em 3D no celular ou tablet do usuário. A partir daí, o estudante pode girar, ampliar e clicar em partes específicas para obter informações extras.
Segundo Alexandre Marino, docente do Departamento de Ciência da Administração da UFSC e idealizador da iniciativa, as cartas surgiram após um pós-doutorado realizado de 2013 a 2016 no Reino Unido. “Desenvolvemos diversos artefatos no nosso laboratório para que o aluno visualize processos complexos”, explicou.
Óculos de RA ampliam a imersão
Além das cartas, visitantes testam óculos de realidade aumentada que exibem hologramas de corações, planetas ou moléculas em escala aumentada. Kauan Maciel, 14 anos, participou da experiência pela primeira vez. “Consegui aumentar e diminuir um coração. Nunca vi algo tão real”, comentou o estudante.
Do papel à impressão 3D
A equipe trabalha agora para que os modelos virtuais possam ser impressos em 3D. “Nossa meta é permitir que qualquer pessoa transforme a projeção em um objeto físico para estudo”, contou Marino.
Formação gratuita para professores
Outra frente do projeto é a capacitação de docentes da rede pública. Mais de mil profissionais, do Norte ao Sul do Brasil, já aprenderam a criar e aplicar conteúdos em RA por meio de cursos presenciais e a distância. As escolas recebem kits com painéis, cartões marcadores e acesso às plataformas desenvolvidas pela UFSC, o que dispensa laboratórios de informática robustos.
Um mapa interativo no site do projeto mostra os professores habilitados em todo o País. Ao todo, estão disponíveis 360 “termos” – nome dado aos modelos virtuais – prontos para uso em disciplinas como biologia, física, química e matemática.
Camiseta anatômica
Entre as novidades apresentadas na SNCT está uma camiseta que estampa órgãos torácicos em posição anatômica. Ao ser escaneada, a peça projeta na tela a localização exata da traqueia, dos pulmões e de outras estruturas, permitindo que o professor demonstre a disposição dos órgãos no corpo de um colega ou do próprio aluno.
Com presença confirmada em futuras edições da SNCT, o RA nas Escolas pretende ampliar o alcance da realidade aumentada na educação básica e superior, reforçando a missão da feira de popularizar a ciência.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
