No plenário da Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (25), o deputado federal José Medeiros (PL-MT) contestou publicamente a religiosidade do advogado-geral da União, Jorge Messias, escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A crítica ocorreu durante discurso em que o parlamentar voltou a condenar a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Medeiros classificou a detenção de Bolsonaro como “decisão política” do STF e, em seguida, direcionou ataques a Messias. Segundo o deputado, o indicado diz ser evangélico apenas para angariar apoio na sabatina da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e no plenário do Senado, marcada para 10 de dezembro.
“Não vi o senhor Messias expressar solidariedade a nenhum evangélico punido injustamente”, declarou Medeiros. Para o parlamentar, o advogado-geral “não tem religião, tem uma agenda” alinhada ao Palácio do Planalto. O deputado, que é pré-candidato ao Senado e aliado de Bolsonaro, afirmou ainda que Messias seria nomeado para “obedecer Lula e perseguir adversários políticos”.
Resistência bolsonarista
Entre aliados do ex-presidente, prevalece a ideia de que um fiel evangélico não poderia se identificar com a esquerda. Nesse contexto, o fato de Messias ser membro da Igreja Batista não basta para afastar o rótulo de “lulista” atribuído pelos opositores.
Calendário da sabatina
Nos próximos dias, Messias inicia a tradicional série de visitas aos senadores – o chamado “beija-mão” – em busca de votos. Se obtiver a aprovação da CCJ e do plenário, assumirá a cadeira deixada por Luís Roberto Barroso, que se aposentou de forma antecipada.
O presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), confirmou que a sabatina do advogado-geral ocorrerá em 10 de dezembro. A data marca a última etapa formal antes da votação final no plenário da Casa.
Medeiros não participa diretamente do processo de análise, restrito ao Senado, mas disse que continuará denunciando o que considera “instrumentalização política” do STF. Nas palavras do deputado, “o Messias está usando a fé como máscara para consolidar um projeto de poder”.
Apesar da ofensiva, Jorge Messias mantém a agenda institucional e evita responder publicamente às críticas. Nos bastidores, auxiliares do governo apostam que o desempenho do indicado na sabatina deverá neutralizar questionamentos sobre sua trajetória e crenças.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews
