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Ex-juiz chama ministros do STF de “vagabundos” em crítica aos julgamentos de 8/1

O ex-magistrado Danilo Campos, aposentado do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), utilizou as redes sociais para atacar o Supremo Tribunal Federal (STF) pelos julgamentos dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Em vídeos divulgados no fim de 2025, ele afirmou que o “nível de vagabundice” dos ministros é “muito acima” do supostamente atribuído aos réus.

Campos, que soma quase três décadas de carreira na magistratura, sustenta que a Corte “acabou com a lei” e atua de forma contrária à Constituição Federal. Nas gravações, o ex-juiz compara a rigidez aplicada aos acusados pelos atos de 8 de janeiro com o que ele considera impunidade em casos de grande corrupção no país.

Críticas ao Supremo

Segundo Danilo Campos, os ministros do STF estariam usando critérios desproporcionais nos processos relacionados à invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília. Para ele, a Corte “escolhe a quem punir” e deixa de responsabilizar agentes políticos e econômicos envolvidos em escândalos que movimentaram bilhões de reais.

“Estão julgando pessoas que deveriam ter penas muito menores, enquanto deixam passar os verdadeiros ladrões do erário”, disparou o ex-juiz em um dos trechos. O teor das gravações viralizou em plataformas como X (antigo Twitter), Facebook e grupos de aplicativos de mensagens.

Trajetória e polêmicas

Danilo Campos ganhou notoriedade no Judiciário mineiro como autor da primeira representação enviada ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre a existência de suposto tráfico de influência nas promoções de magistrados em Minas Gerais. A iniciativa lhe rendeu inimigos, processos administrativos disciplinares e condenações por crimes contra a honra de colegas do TJMG.

Aposentado compulsoriamente, o ex-magistrado segue ativo nas redes, onde é figura constante em debates sobre política, Poder Judiciário e liberdade de expressão. Seus vídeos costumam repercutir em grupos que questionam decisões do STF e defendem mudanças no sistema de nomeação de ministros.

Ato de 8 de janeiro

Os ataques às sedes do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal e do Palácio do Planalto ocorreram em 8 de janeiro de 2023, quando grupos de manifestantes contrários ao resultado das eleições de 2022 invadiram e depredaram os prédios públicos. Desde então, o STF conduz centenas de ações penais contra acusados de participar ou financiar os atos.

As sessões de julgamento vêm sendo transmitidas ao vivo pela TV Justiça e pelas redes sociais do Tribunal, com penas que já ultrapassam 15 anos de prisão para alguns réus. O relator dos processos, ministro Alexandre de Moraes, é alvo recorrente de críticas de setores da oposição e de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Repercussão

As declarações de Danilo Campos somam-se à indignação de parlamentares, juristas e ativistas alinhados à direita que denunciam supostos abusos do Supremo. Por outro lado, entidades de defesa da democracia e representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) veem nas decisões da Corte uma resposta necessária aos ataques.

Até a publicação desta reportagem, o STF não havia se manifestado sobre as falas do ex-magistrado. Não há registro de abertura de investigação contra Danilo Campos, mas aliados do Tribunal avaliam que ele pode ser acionado judicialmente por ofensas dirigidas a ministros.

Em meio à tensão entre parte da sociedade e o Supremo, o episódio revela a persistente disputa em torno dos limites da liberdade de expressão e da independência dos poderes da República.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de MatoGrossoAoVivo

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