O promotor Herbert Dias Ferreira, que atua na 1ª Vara Criminal de Sinop (480 km de Cuiabá), acusou a defesa de Wellington Honorato dos Santos de tentar “depreciar” Bruna de Oliveira ao associá-la, sem provas, ao tráfico de drogas e a facções criminosas. A declaração foi feita na tarde desta terça-feira (27), durante a fase de debates no Tribunal do Júri.
Para o representante do Ministério Público, a estratégia do advogado de Wellington desviou o foco do processo. “O que estamos vendo é uma versão unilateral do réu, um ataque indireto à vítima”, afirmou o promotor, destacando que grande parte do tempo destinada à defesa foi usada para questionar a reputação de Bruna.
Questionamentos sobre a arma e contradições
Herbert Dias também contestou a tentativa da defesa de retirar qualificadoras do crime. Segundo ele, o corte profundo no pescoço da vítima indica uso de faca, embora o réu diga que o ferimento teria sido causado pela placa da motocicleta após uma queda. A bainha de uma faca foi encontrada na pia da residência, mas a lâmina não foi localizada.
Durante a exposição, o promotor apontou divergências nos depoimentos de Wellington. Em versões distintas, o acusado alternou entre negar e admitir uso de cocaína, bem como apresentou versões diferentes sobre a origem do dinheiro para adquirir entorpecentes naquela noite.
Histórico de vulnerabilidade da vítima
O promotor relembrou passagens da vida de Bruna, expulsa de casa ainda na adolescência, explicando que a jovem enfrentou diversas dificuldades, mas não se envolveu em crimes. “Ela tinha tudo para se tornar criminosa, mas permaneceu vítima”, frisou.
Em apoio à tese da acusação, foi exibida aos jurados uma imagem do corpo de Bruna logo após ser encontrado em uma valeta com mais de dois metros de profundidade. O promotor ressaltou que o réu tentou limpar vestígios de sangue na casa e ocultar o cadáver.
Detalhes do crime
O assassinato ocorreu em 2 de junho de 2024, após discussão envolvendo a venda de um ventilador. Conforme a investigação, Wellington degolou Bruna com uma faca, amarrou o corpo com corrente e corda e o arrastou por cerca de 400 metros em uma motocicleta antes de abandoná-lo.
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que a vítima foi puxada pela moto. O acusado foi preso no dia seguinte em Nova Maringá, onde confessou o crime. Ele alegou estar sob efeito de cocaína e álcool, afirmando que teve um “surto” e que arrastar o corpo foi a única solução encontrada para se livrar dele.
Diferença física entre réu e vítima
Laudo pericial citado pelo Ministério Público indica que Bruna tinha 1,54 metro de altura, enquanto Wellington mede mais de 1,70 metro e pesa cerca de 100 quilos. Para o promotor, a desproporção reforça a tese de impossibilidade de defesa da vítima.
Após a manifestação do Ministério Público, a defesa, representada pelo advogado João Francisco de Assis Neto, iniciou seus argumentos perante os jurados. O julgamento prossegue com expectativa de veredicto após a última réplica.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews
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