O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do Partido Liberal na Câmara, encontrou-se na quinta-feira, 25, com o parlamentar Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) e o jornalista Paulo Figueiredo durante viagem aos Estados Unidos. A pauta principal foi a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília.
A reunião ganhou visibilidade após publicação de Eduardo Bolsonaro nas redes sociais com a frase “todos unidos pela anistia”. O encontro ocorre em momento de forte mobilização da bancada bolsonarista para assegurar o perdão integral a condenados e investigados pelos ataques às sedes dos Três Poderes.
Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo são alvos de denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República por suposta tentativa de obstrução de Justiça. De acordo com a PGR, ambos teriam solicitado ao então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sanções contra autoridades brasileiras, o que configuraria interferência externa no andamento de processos judiciais no país.
Paralelamente, o debate sobre o “PL da Dosimetria” avança na Câmara. Relator da proposta, o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) indicou que pretende limitar o texto à redução de penas, sem contemplar anistia total. A sinalização provocou reação imediata do PL, que condiciona seu apoio à inclusão do perdão completo.
Na terça-feira, 23, Paulinho reuniu-se com representantes do PL para discutir a elaboração do parecer. Na ocasião, a bancada maior da Casa afirmou que votará contra qualquer relatório que não garanta anistia plena aos condenados, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro. O movimento reforça a pressão sobre o relator e amplia a disputa interna na base governista e na oposição.
Sóstenes Cavalcante, no comando da liderança do partido desde fevereiro, tornou-se porta-voz dessa ofensiva. Ao lado de Eduardo Bolsonaro, ele sustenta que a anistia é fundamental para “pacificar” a base bolsonarista e restaurar, segundo o grupo, a normalidade política após os acontecimentos de 8 de janeiro.
Enquanto a bancada trabalha nos bastidores, o Supremo Tribunal Federal avalia a denúncia contra Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo. Caso a Corte aceite o pedido da PGR, ambos podem responder por obstrução de Justiça, crime punível com até cinco anos de reclusão.
O substitutivo do “PL da Dosimetria” ainda não tem data para ser apresentado, mas a expectativa é de que chegue ao plenário nas próximas semanas. O impasse sobre a anistia integral deve dominar as negociações na Câmara e no Senado até que o texto final seja definido.
As articulações em Washington reforçam a ofensiva internacional de aliados de Jair Bolsonaro e mostram que o tema continua no centro da estratégia política do PL para 2024.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de No Centro do Poder
