O número de brasileiros com diabetes cresceu mais de quatro vezes em pouco mais de duas décadas. Segundo o Atlas de Diabetes da Federação Internacional de Diabetes (IDF), 16,6 milhões de pessoas de 20 a 79 anos convivem com a doença no País, contra 3,3 milhões em 2000 — avanço de 403%. Hoje, uma em cada nove pessoas no planeta tem diagnóstico confirmado.
O diabetes tipo 2 responde por aproximadamente 90% dos casos e está ligado, principalmente, ao excesso de peso, à inatividade e à alimentação baseada em ultraprocessados. Atenta a esse cenário, a Unimed Cuiabá mantém o programa Doce Vida, voltado a beneficiários com diabetes dos tipos 1 e 2 a partir dos 18 anos.
Rastreamento antecipado
A endocrinologista da cooperativa, Claudia Mariane Santana, lembra que a predisposição genética é um dos fatores de risco mais relevantes. “Hoje a orientação é testar todas as pessoas acima de 35 anos”, diz. O exame deve ser antecipado em casos de:
- Parentes de primeiro grau com diabetes tipo 2;
- Mulheres com síndrome dos ovários policísticos ou diabetes gestacional;
- Filhos que nasceram com mais de 4 kg;
- Presença de acantose nigra;
- Hipertensão arterial;
- Sobrepeso ou obesidade.
Doença avança entre crianças e jovens
O diabetes tipo 2, antes restrito à vida adulta, passou a ser diagnosticado também na infância. Estudo da IDF de 2021 estima 1,1 milhão de casos em adolescentes de 14 a 19 anos. O aumento da obesidade infantil e o sedentarismo explicam a antecipação de diagnósticos. Pesquisas recentes indicam que, quanto mais precoce o início da doença, maior o risco de demência na velhice devido a processos inflamatórios e danos aos vasos cerebrais.
Maior impacto sobre o público feminino
Levantamento do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo mostra que 60% dos pacientes com diabetes tipo 2 são mulheres. Dados do Ministério da Saúde apontam prevalência geral de 10,2% entre adultos, sendo 11,1% para mulheres e 9,1% para homens. Acima dos 65 anos, a diferença amplia-se: 31% das mulheres apresentam a doença, ante 29,3% dos homens. Menor prática de atividade física — 32% de inatividade feminina contra 23% masculina, segundo a Organização Mundial da Saúde — e maior expectativa de vida estão entre as justificativas.
Novas opções de tratamento
A médica destaca a chegada de medicamentos como dapagliflozina e empagliflozina, que, além de controlar a glicemia, trazem benefícios cardiovasculares e renais. Fármacos como Ozempic, Monjaro, Egove e Saxenda também revolucionaram o manejo conjunto de diabetes e obesidade, ao atacar diretamente o excesso de peso.
Açúcar x hábito alimentar
Apesar da crença popular, Santana reforça que o açúcar, isoladamente, não causa diabetes. “O problema é o conjunto de carboidratos — massas, pães, arroz, fast food, batatas — aliado às gorduras. O aumento calórico leva ao ganho de peso, e esse, sim, eleva o risco de diabetes”, afirma. Segundo ela, uma dieta equilibrada permite consumir doces ocasionalmente sem prejuízo à saúde.
Como participar do Doce Vida
Destinado a clientes da Unimed Cuiabá com 18 anos ou mais e diagnóstico de diabetes tipo 1 ou 2, o Doce Vida oferece acompanhamento multidisciplinar voltado à prevenção de complicações. A inscrição pode ser feita:
- Pelo formulário on-line (link disponível no portal da Unimed Cuiabá);
- Por encaminhamento do médico cooperado via sistema RES;
- Presencialmente no Espaço Viver Bem (Rua Comandante Costa, 2063, Centro Sul, Edifício São Miguel Business Center).
Mais informações podem ser solicitadas pelo telefone (65) 3612-8800.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews
