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Disparada de 115% no enxofre pressiona indústria de fertilizantes

O preço do enxofre voltou a subir com força no mercado internacional em 2025. Entre janeiro e a segunda quinzena de outubro, o insumo avançou cerca de 115% nos portos brasileiros, atingindo patamar semelhante ao observado em 2022, período marcado pela escalada global de fertilizantes após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Os números constam de levantamento da StoneX, consultoria que acompanha o setor. A alta reacende o sinal de alerta na cadeia de fertilizantes, que já opera com margens comprimidas devido à queda recente dos preços dos adubos prontos.

Demanda asiática puxa a valorização

O salto nas cotações tem origem no descompasso entre oferta e demanda. Na ponta compradora, países asiáticos lideram a pressão. De acordo com Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, a China elevou as importações para atender sua robusta indústria de fertilizantes fosfatados, superando os volumes registrados em 2024. A Índia, às vésperas da safra Rabi, também reforçou as compras para garantir matéria-prima às fábricas locais.

Outras nações da região, embora em menor intensidade, seguem a mesma tendência, contribuindo para o aumento da demanda global.

Oferta limitada agrava o quadro

Do lado da oferta, a disponibilidade mundial de enxofre continua restrita. Ataques a refinarias russas decorrentes do conflito na Ucrânia reduziram a produção do país, que passou a buscar volumes extras em mercados vizinhos. Na Europa, a produção regional permanece aquém da necessidade das indústrias, aumentando a dependência de importações.

Com menos enxofre no mercado, compradores de diversas regiões redirecionaram suas ordens para Canadá e Estados Unidos, acirrando a disputa por cargas e sustentando os preços em alta, explica Pernías.

Efeitos na cadeia de fertilizantes

Embora o enxofre não entre na formulação direta do DAP (fosfato diamônico), ele é essencial na produção de vários fertilizantes fosfatados. A valorização atual, portanto, encarece o custo de fabricação justamente num momento de recuo nas cotações internacionais de adubos, comprimindo as margens da indústria.

SSP é o produto mais impactado no Brasil

No mercado brasileiro, o SSP (superfosfato simples) desponta como o fertilizante mais afetado. O país é um dos principais produtores e consumidores desse produto, o que amplia a exposição às oscilações do enxofre. “O aumento de custos preocupa um setor que já enfrenta desafios logísticos e margens mais apertadas”, reforça Pernías.

Analistas acompanham a evolução dos preços para avaliar possíveis repasses ao agricultor nas próximas safras. Enquanto isso, compradores buscam alternativas de suprimento e estratégias de hedge para minimizar o impacto nos balanços.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Portal do Agronegócio

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