O Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) registrou alta de 0,18% entre 16 de setembro e 15 de outubro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última sexta-feira (24). O resultado ficou abaixo das projeções de analistas de mercado, que esperavam avanço mais forte. Com o dado, a inflação acumulada em 12 meses alcançou 4,94% e se aproximou do teto da meta oficial de 4,5%, fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para 2025.
Alimentos, energia e câmbio influenciam desaceleração
A principal contribuição para o índice mais comportado partiu dos alimentos consumidos em casa, que recuaram 0,1% no período. Segundo o IBGE, melhores condições climáticas, maior oferta de arroz e feijão e ganhos de produtividade colaboraram para o alívio nos preços. A valorização do real frente ao dólar também ajudou a conter custos de itens concorrenciais, como eletrônicos e eletrodomésticos, trazendo estabilidade aos bens industriais.
No segmento de energia elétrica, a troca da bandeira vermelha patamar 2 pela bandeira 1 reduziu a pressão na conta de luz. Técnicos do setor preveem migração para a bandeira amarela com a regularização das chuvas e, possivelmente, bandeira verde até dezembro, o que pode aliviar ainda mais a inflação no fim do ano.
Serviços seguem pressionando o índice
Apesar da trégua em alimentos e energia, o grupo de serviços manteve trajetória de alta. Gastos com beleza, cuidados pessoais e saúde avançaram, influenciados pela maior injeção de recursos na economia via programas federais. Esse movimento sustenta parte da pressão inflacionária, mesmo com o indicador geral abaixo do esperado.
Expectativas revisadas e pressão sobre o Banco Central
Com a leitura preliminar de outubro, bancos e consultorias revisaram projeções e passaram a trabalhar com inflação entre 4,3% e 4,5% em 2025, dentro do intervalo de tolerância. O cenário reforça apostas de que o Banco Central pode iniciar o ciclo de corte da taxa básica de juros, atualmente em 15% ao ano, mais cedo do que o previsto.
A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) ocorrerá em 4 e 5 de novembro. Até lá, a autoridade monetária terá em mãos o IPCA cheio de outubro, os desdobramentos do encontro entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos e a decisão do Federal Reserve sobre juros americanos, marcada para 28 e 29 de outubro. A leitura entre analistas é de que o Copom deve manter a Selic na reunião de novembro, mas pode sinalizar cortes ainda no primeiro trimestre de 2026, antecipando o início do afrouxamento monetário antes estimado para abril.
A trajetória da inflação e do câmbio será monitorada de perto pelo mercado para calibrar apostas sobre o ritmo de redução dos juros. Caso não ocorram choques internos ou externos relevantes, a expectativa é que o IPCA encerre 2025 abaixo do teto da meta, abrindo espaço para um ambiente monetário menos restritivo.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Rdnews
