O setor de base florestal de Mato Grosso aumentou em cerca de 15% o valor embarcado para os Estados Unidos em 2025, alcançando mais de US$ 15 milhões contra os US$ 13 milhões registrados em 2024. O resultado foi divulgado nesta quarta-feira (28) pelo presidente do Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira de Mato Grosso (Cipem), Ednei Blasius, durante coletiva de imprensa em Cuiabá.
Tarifas mais altas e burocracia ambiental
Segundo Blasius, o desempenho ocorreu mesmo após o “tarifaço” determinado no ano passado pelo governo norte-americano, que elevou para até 50% a alíquota sobre produtos brasileiros de madeira, sobretudo itens de maior valor agregado como pisos maciços e decks de ipê. A medida atingiu especialmente mercadorias acabadas, principal nicho do mercado consumidor dos Estados Unidos.
O dirigente explicou que, após articulação entre Cipem, Confederação Nacional da Indústria (CNI), federações estaduais e Governo de Mato Grosso, parte da sobretaxa foi revista, permitindo a retomada de parte das vendas. “Conseguimos revogar parte desse tarifaço e voltamos a abrir o mercado novamente, porém com tarifa um pouco maior”, relatou.
Queda no total exportado e avanço do mercado interno
Apesar do avanço específico com os norte-americanos, o volume global exportado por Mato Grosso recuou aproximadamente 10% em 2025. Blasius atribuiu a diminuição às exigências adicionais impostas por instruções normativas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) relacionadas à Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (Cites).
De acordo com o presidente do Cipem, contêineres ficaram parados entre 90 e 120 dias em portos brasileiros, e a liberação de cada embarque exigiu grande volume de documentação. Em consequência, empresas priorizaram o mercado interno, que passou a representar 46% do faturamento do setor no Estado, movimentando R$ 1,46 bilhão. As exportações geraram cerca de R$ 596 milhões.
Principais destinos e necessidade de diversificação
No ranking de compradores externos, a Índia permaneceu como principal destino — especialmente para a madeira de teca plantada — seguida por Estados Unidos, foco da madeira nativa, e China. Blasius defendeu a busca de novos mercados. “Não podemos ficar somente dependentes do mercado americano. Temos que fortalecer o mercado brasileiro e buscar outros países, como França e Oriente Médio”, disse.
Escassez de trabalhadores e proposta de colônias
Outro desafio apresentado foi a falta de mão de obra qualificada no Estado. O setor enfrenta dificuldades para atrair profissionais diante do custo elevado de moradia, que varia de R$ 1.500 a R$ 2.000, e do receio de perda de benefícios sociais, segundo o dirigente. Algumas empresas avaliam retomar o modelo de colônias industriais, construindo moradias em municípios como Colniza, Aripuanã e Alta Floresta.
Rastreabilidade e concessões florestais
Blasius destacou que Mato Grosso dispõe do sistema de rastreabilidade de madeira “mais avançado do país”, permitindo identificar a localização e a data de corte de cada árvore. O dirigente também voltou a defender a criação de concessões florestais em áreas públicas. Atualmente, todo o manejo no Estado ocorre em propriedades privadas, enquanto outras unidades da Amazônia já operam esse modelo.
Em relação ao acordo Mercosul-União Europeia, o presidente do Cipem avaliou que novas exigências ambientais podem impor entraves adicionais, mas reiterou que a cadeia produtiva de Mato Grosso é “100% rastreada e legal”.
Com o crescimento de 15% nas vendas aos Estados Unidos, mesmo diante de tarifas elevadas, o setor florestal mato-grossense busca agora consolidar o mercado interno, diversificar destinos externos e solucionar gargalos de mão de obra para manter a competitividade em 2026.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Rdnews
