O RaboResearch, braço de análises econômicas do Rabobank, divulgou novo conjunto de projeções que aponta um cenário de câmbio pressionado, ritmo de atividade mais lento e persistência de riscos fiscais para o Brasil em 2026.
Câmbio sob pressão
O estudo estima que o dólar encerre 2025 cotado a R$ 5,55 e avance para R$ 5,70 até dezembro de 2026. Mesmo diante da fraqueza recente da moeda norte-americana perante pares do G10, o real segue impactado por incertezas internas, como o aumento do déficit em conta corrente e a deterioração das contas públicas.
Segundo o banco, o déficit em conta corrente somou US$ 46,8 bilhões nos oito primeiros meses de 2025, ante US$ 36,8 bilhões no mesmo intervalo do ano anterior. Já o superávit comercial, antes previsto acima de US$ 90 bilhões, foi revisado para US$ 64,4 bilhões, reflexo da alta nas importações e da valorização cambial observada no período.
Quadro fiscal deteriorado
A instituição ressalta que a rejeição, pela Câmara, da Medida Provisória 1.303 — que substituía o aumento do IOF por novas fontes de receita — gerou impacto fiscal estimado em R$ 46,5 bilhões até 2026. Com isso, o Rabobank calcula déficit primário de 0,6% do PIB em 2025 e de 1,0% em 2026, bem distante da meta oficial de superávit de 0,25%.
Mesmo após a aprovação da reforma do Imposto de Renda, a dívida bruta deve passar de 81,4% do PIB em 2025 para 83,6% em 2026, indicando trajetória ascendente e reforçando o desafio de ancorar expectativas de longo prazo.
Atividade perde fôlego
Para o Produto Interno Bruto, a equipe do banco projeta expansão de 2,0% em 2025 e desaceleração para 1,6% em 2026. O enfraquecimento é atribuído ao efeito defasado da política monetária restritiva e à recuperação ainda lenta do crédito, em especial das linhas consignadas.
Apesar disso, a liberação de R$ 64 bilhões em precatórios e a elevação da faixa de isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil devem garantir algum suporte ao consumo das famílias, amenizando a perda de impulso econômico no curto prazo.
Inflação e juros
O relatório projeta IPCA de 4,6% ao fim de 2025 e de 4,2% em 2026. A apreciação do real e a queda dos preços no atacado ajudam a conter alimentos e bens industriais, enquanto o segmento de serviços continua pressionado pela melhora da renda real.
Quanto aos itens administrados, o recuo de 16% no preço internacional do petróleo em 2025 contribuiu para estabilizar a gasolina, mas a tarifa de energia elétrica acumula aumento de 16,42% no ano.
A Selic, segundo o Rabobank, permanecerá em 15% ao ano até o segundo trimestre de 2026, quando poderia começar um ciclo de cortes. A autoridade monetária permanece focada em garantir a convergência da inflação às metas, mantendo juros reais elevados enquanto houver dúvida sobre o equilíbrio fiscal.
Perspectiva para 2026
De modo geral, o Rabobank antevê 2026 marcado por crescimento moderado, inflação controlada dentro de patamar ainda acima do centro da meta e forte atenção aos riscos fiscais. A proximidade das eleições, o ambiente externo incerto e a fragilidade das contas públicas devem seguir influenciando o câmbio e as condições financeiras domésticas.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Portal do Agronegócio
