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Derrite reafirma combate ao PCC e admite custo pessoal por denunciar crime organizado

Derrite, conhecido por expor publicamente o avanço do crime organizado no Brasil, afirmou não temer retaliações ao denunciar a atuação de facções. “Sempre falei sobre o tamanho do crime organizado e não tenho medo de colocar o dedo na ferida. Faço por idealismo e pago o alto preço disso”, declarou.

A manifestação ocorreu após uma operação policial que teve como alvo atividades financeiras atribuídas ao Primeiro Comando da Capital (PCC). De acordo com a investigação, postos de combustíveis eram usados para lavar dinheiro obtido em ações ilícitas da facção.

Postos de gasolina na mira

Segundo investigadores, o setor de combustíveis foi escolhido pelo PCC porque movimenta grande volume de transações em espécie, dificultando o rastreamento dos valores. A operação reforçou suspeitas já discutidas nos bastidores da segurança pública e por especialistas, que apontam a facilidade de infiltração do crime organizado em ramos econômicos aparentemente legítimos.

Especialistas consultados pela força-tarefa destacam que o modelo adotado é atraente para organizações criminosas: os postos recebem pagamentos diários, em dinheiro vivo, e permitem a inserção de grandes quantias de origem ilícita na economia formal. Além disso, as empresas do setor costumam apresentar margens de lucro variáveis, o que torna menos perceptível a inclusão de valores irregulares nos balanços.

Impacto nos cofres da facção

Investigadores classificam a ação como “passo importante” para minar o braço financeiro do PCC. A intenção é atingir a fonte de recursos que sustenta a logística da facção, o pagamento de integrantes e a compra de armamentos. “Quando se enfraquece o caixa, compromete-se também a capacidade operacional do grupo”, resumiu um agente envolvido na operação.

Mesmo diante dos riscos, Derrite diz manter o compromisso de apoiar operações semelhantes e de denunciar esquemas que fortaleçam organizações criminosas. “Faço o combate ao crime organizado por idealismo”, reiterou.

Autoridades da segurança pública avaliam que novas investigações podem ser deflagradas a partir dos dados coletados, ampliando o cerco a outros setores suspeitos de lavar dinheiro para o PCC. Até o momento, o detalhamento dos valores apreendidos e o número de pessoas investigadas não foi divulgado.

Sem estimar prazo, a equipe de investigação informou que continua analisando documentos e relatórios contábeis apreendidos nos postos. A expectativa é apontar, em fases posteriores, responsáveis diretos pelas operações financeiras e possíveis conexões com outras empresas.

Derrite concluiu que seguirá abordando o tema em debates públicos e em articulações com órgãos de segurança. “Não tenho medo de colocar o dedo na ferida”, disse, reiterando que está preparado para lidar com as consequências.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de MatoGrossoAoVivo

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