O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), elogiou nesta terça-feira (28) a ação desencadeada pelo governo do Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho, nas comunidades do Complexo do Alemão e da Penha. A ofensiva mobilizou mais de 2,5 mil agentes das polícias Civil e Militar e resultou, até o momento, em 64 mortos – entre eles quatro policiais –, 81 presos e na apreensão de armamentos e drogas.
Em pronunciamento, Mendes parabenizou o governador fluminense, Cláudio Castro (PL), e afirmou que “somente medidas muito duras” podem conter o avanço das facções criminosas no país. Para ele, leis brandas e a sensação de impunidade reduziram o temor dos criminosos em relação ao sistema de Justiça.
“Bandido não respeita mais a polícia, não respeita mais a pena. Perdeu o medo do nosso Judiciário”, declarou. O chefe do Executivo mato-grossense questionou até onde a sociedade permitirá o crescimento do crime organizado: “O que mais precisa acontecer para que bandido seja tratado como bandido neste país?”.
Repercussão nacional e internacional
A operação no Rio de Janeiro ganhou destaque dentro e fora do Brasil pelo número expressivo de vítimas e pelas cenas de confronto. De acordo com as forças de segurança estaduais, os policiais foram recebidos a tiros e chegaram a ser atacados por drones que lançavam explosivos, evidenciando o poder de fogo do grupo criminoso.
Mendes classificou as mortes como “lamentáveis”, mas disse que a prioridade deve ser retomar territórios dominados por facções. “É necessário ter coragem para enfrentar a criminalidade. Não é possível deixar que criminosos dominem bairros, regiões e cidades inteiras do nosso país”, completou.
Números da ofensiva
Até o fechamento desta edição, os dados oficiais da Secretaria de Segurança Pública do Rio apontavam:
- 64 mortos, sendo quatro agentes de segurança;
- 81 pessoas presas por envolvimento com o Comando Vermelho;
- apreensão de rifles, pistolas, granadas e grande quantidade de entorpecentes;
- uso de veículos blindados e helicópteros para apoiar o avanço em áreas de difícil acesso.
Contexto nacional
O posicionamento de Mendes ocorre em meio a discussões sobre mudanças na legislação penal e processual brasileira. Governadores de diferentes estados têm pressionado o Congresso por penas mais rígidas e por maior permanência de líderes de facções em presídios federais de segurança máxima. Em Mato Grosso, segundo ele, parte das ações policiais também enfrenta a resistência de grupos ligados ao Comando Vermelho.
“Cenas como essas mostram que não podemos recuar”, reforçou o governador, referindo-se aos confrontos no Rio. Ele destacou que as unidades da federação precisam atuar de forma coordenada para impedir que criminosos migrem de um estado para outro quando sofrem pressão policial.
Cláudio Castro, por sua vez, afirmou que a operação no Complexo do Alemão e da Penha seguirá até que todas as áreas estejam sob controle das forças de segurança estaduais. Ainda não há prazo definido para o encerramento da ofensiva.
Enquanto isso, entidades de direitos humanos cobraram transparência na divulgação de informações e criticaram o alto número de mortos. O governo fluminense respondeu que a contagem oficial inclui suspeitos baleados em confrontos e que o Ministério Público acompanhará as investigações dos casos.
Nos próximos dias, governadores devem se reunir em Brasília para discutir estratégias conjuntas de combate às facções, incluindo a ampliação de operações integradas e o compartilhamento de dados de inteligência.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNEWS
