O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), avaliou que a Câmara Municipal enfrenta obstáculos para adotar medidas mais severas contra o vereador afastado Chico 2000 (sem partido), investigado pela Operação Gorjeta por suspeita de desvio de emendas parlamentares. Durante entrevista concedida na quinta-feira (29), o chefe do Executivo ressaltou que mudanças recentes no regimento interno elevaram a exigência de votos para abertura ou aplicação de punições, o que dificultaria qualquer ação que leve à perda de mandato.
“Depois das últimas alterações, fica mais difícil qualquer enfrentamento. O Parlamento mudou o regramento de uma medida mais punitiva, então, se alguém espera essa expectativa, será mais complicado”, afirmou Abilio. Ele acrescentou que os vereadores precisam “zelar pela imagem” do Legislativo diante das sucessivas operações policiais que miram Chico 2000.
O regimento interno determina o mínimo de 18 votos — equivalentes a dois terços dos 25 vereadores — para que uma denúncia seja admitida e investigada. Mesmo com a barreira numérica, o prefeito sustentou que a Casa deve analisar o caso. “Espero que o Parlamento saiba preservar a sua imagem”, reforçou.
Chico 2000 foi afastado do cargo por mais 60 dias após a deflagração da Operação Gorjeta, terceira força-tarefa da Polícia Civil contra o parlamentar em menos de um ano. Antes, ele havia sido alvo das operações Perfídia e Rescaldo, realizadas em abril e maio de 2025. O vereador nega todas as acusações.
Um pedido de abertura de representação por quebra de decoro parlamentar também tramita na Câmara. A solicitação, protocolada pelo ex-juiz federal Julier Sebastião, ligado ao Partido dos Trabalhadores, requer a cassação do mandato de Chico. O documento encontra-se na Procuradoria da Casa, que elabora parecer sobre sua admissibilidade.
A presidente do Legislativo cuiabano, Paula Calil (PL), informou nesta semana que aguarda a manifestação jurídica para, se houver viabilidade, colocar o requerimento em votação já na próxima terça-feira (3). Caso a denúncia seja aprovada pela maioria qualificada, será instaurada comissão processante para aprofundar as apurações.
Enquanto o desfecho político não é definido, o Palácio Alencastro mantém afastado o vereador e acompanha o desdobramento das investigações. Abilio reforçou que, na esfera municipal, sua gestão adotou critérios mais rigorosos para execução de emendas, mas reiterou que a competência para julgar a conduta de Chico pertence à Câmara.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Rdnews
