A União formalizou o reconhecimento da situação de emergência em saúde pública para o município de Dourados, localizado em Mato Grosso do Sul. A medida, publicada nesta segunda-feira (30) no Diário Oficial da União pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, é uma resposta à crescente incidência de doenças infecciosas virais, com destaque para um número expressivo de casos de chikungunya.
Com esta chancela federal, a prefeitura de Dourados ganha maior respaldo e autonomia para intensificar as ações de combate à proliferação da doença nos bairros e expandir as iniciativas já em curso na reserva indígena local. A gestão municipal ressaltou que essas atividades contam com o apoio e a parceria dos governos federal e estadual, visando uma abordagem mais robusta para conter o avanço do vírus.
Medidas Locais de Emergência
A decisão federal sucede um decreto municipal emitido na última sexta-feira (27) pelo prefeito de Dourados, Marçal Filho. Na ocasião, o gestor já havia declarado situação de emergência em áreas do município mais afetadas pela epidemia de chikungunya. O objetivo do decreto local era conferir maior agilidade e capacidade de resposta à Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil para atuar contra a doença.
A publicação do decreto municipal, veiculado em edição suplementar do Diário Oficial do Município, estabelece a mobilização irrestrita de todos os órgãos municipais. Esses entes deverão operar sob a coordenação da Defesa Civil de Dourados, empenhados nas ações de enfrentamento da crise e na eventual reconstrução de áreas que possam ser impactadas. Além disso, o texto legal autoriza a convocação de voluntários e a organização de campanhas para arrecadar recursos, fortalecendo a resposta à epidemia.
Um ponto relevante do decreto municipal, especificado em seu artigo 4º, confere às autoridades administrativas e aos agentes de proteção e defesa civil a prerrogativa de adentrar residências em situações de risco iminente. Essa permissão visa prestar socorro ou determinar a imediata evacuação de moradores. Em casos de perigo público iminente, é permitido também o uso de propriedade particular, garantindo-se ao proprietário uma indenização posterior, caso se verifique algum dano.
Dados Epidemiológicos Alarmantes
Um boletim epidemiológico divulgado em 26 de outubro revelou o cenário preocupante da doença no município. Na área urbana de Dourados, foram registrados 1.455 casos prováveis, com 785 confirmações e 900 casos ainda sob investigação. O relatório indicava, ainda, 39 internações decorrentes da doença.
A situação na Reserva Indígena da cidade também demonstra a gravidade da epidemia. Foram contabilizados 1.168 casos prováveis de chikungunya, dos quais 629 foram confirmados, e 539 permaneciam em investigação. A reserva registrou 7 internações, 428 casos que necessitaram de atendimento hospitalar e, tragicamente, 5 óbitos atribuídos à chikungunya.
Sobre a Chikungunya
A chikungunya é uma arbovirose, uma doença viral transmitida a humanos através da picada de fêmeas infectadas de mosquitos do gênero Aedes. No contexto brasileiro, o vetor primário identificado para a transmissão é o Aedes aegypti, o mesmo mosquito responsável pela propagação da dengue.
As manifestações clínicas mais comuns da infecção incluem inchaço (edema) e dores articulares que podem ser altamente incapacitantes. Contudo, a doença também pode apresentar sintomas extra-articulares. Em casos mais severos, a chikungunya pode levar à necessidade de internação hospitalar e, infelizmente, pode resultar em óbito.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Agência Brasil
