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Mato Grosso lidera resgates de trabalho escravo em 2025

Dados consolidados de 2025 revelam que o trabalho escravo persiste em ritmo preocupante no país, com destaque negativo para Mato Grosso. Uma força-tarefa federal e estadual retirou 627 pessoas de condições degradantes no Estado ao longo do ano, número que coloca a unidade da federação entre as que mais concentraram resgates.

No cenário nacional, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) registrou 2.772 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão em 2025. Desse total, quase 70% foram encontrados em áreas urbanas, contrariando a percepção de que o problema se restringe ao meio rural. Ainda assim, em Mato Grosso prevaleceram resgates em propriedades ligadas ao agronegócio, setor que domina a economia local.

A construção civil apareceu como a atividade com maior número de flagrantes no país. Segundo o MTE, a maioria dos trabalhadores libertados tinha entre 30 e 39 anos, era do sexo masculino, possuía baixa escolaridade e, em 83% dos casos, autodeclarava-se negra (pretos ou pardos).

Além de Mato Grosso, Bahia, Minas Gerais e São Paulo figuram entre os estados com mais trabalhadores resgatados em 2025. As equipes de fiscalização relatam encontrar alojamentos improvisados e sem condições mínimas de higiene: locais abafados, sem ventilação, sem banheiros, sem camas e sem cozinhas adequadas. Há registros de jornadas de até 18 horas diárias, sem pausas para alimentação ou descanso, e pagamento abaixo do salário mínimo.

O balanço do MTE aponta aumento de 38% no total de trabalhadores libertados em comparação a 2024. Desde 1995, quando o governo federal iniciou as operações de combate a esse tipo de crime, mais de 68 mil pessoas foram retiradas de situações de escravidão contemporânea no Brasil.

Para conter a prática, legislações específicas preveem multas, pagamento de indenizações às vítimas e inclusão dos infratores na chamada “lista suja” do trabalho escravo, que restringe acesso a crédito oficial. Mesmo assim, os números indicam que as medidas ainda não impedem a reincidência nem dissuadem novos casos.

Organizações governamentais e entidades civis reforçam que denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo Disque 100, aplicativo MPT Pardal ou diretamente às superintendências regionais do trabalho. Especialistas destacam que a participação da sociedade é decisiva para identificar e interromper situações de exploração.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews

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