O presidente estadual do Partido Liberal (PL) em Mato Grosso, Ananias Filho, afirmou que a legenda não pretende firmar alianças com partidos que participam do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração foi feita durante entrevista à TV Vila Real e teve como principal alvo o Republicanos, sigla do vice-governador mato-grossense Otaviano Pivetta.
Para Ananias, a presença do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, na Esplanada enquadra o Republicanos na categoria de “partido governista”, o que inviabiliza qualquer composição eleitoral com o PL no Estado. “Não vamos sentar à mesa com quem está no colo ou na janela do governo Lula”, declarou o dirigente.
Resistência nacional também pesa
Além do fator local, Ananias citou a postura do presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, que, segundo ele, tem demonstrado resistência ao projeto presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para 2026. Esse posicionamento reforça o veto estabelecido pela direção estadual liberal.
O dirigente foi enfático ao dizer que o PL não abrirá espaço para “surfistas” — expressão usada para classificar políticos que buscam siglas apenas para aproveitar boas ondas eleitorais sem compromisso programático. “Quem quiser pegar carona que procure outra prancha”, ironizou.
Pré-candidaturas consolidadas
Ananias reforçou que o partido trabalha com duas pré-candidaturas prioritárias: José Medeiros para o Senado e Wellington Fagundes ao Governo de Mato Grosso. Segundo ele, ambos os projetos estão “consolidados” e não sofrerão alterações para acomodar novas forças.
Medeiros, ex-senador e atual deputado federal, ganhou respaldo da executiva estadual após a decisão de Flávio Bolsonaro de disputar a Presidência. Já Wellington, que cumpre mandato de senador, tenta retornar ao Palácio Paiaguás, onde governou entre 1995 e 2002.
Movimento de Pivetta esbarra em impasse
Nos bastidores, o vice-governador Otaviano Pivetta vinha articulando aproximação com o PL para redesenhar a aliança formada em 2022, quando apoiou a reeleição de Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno. Contudo, o dirigente liberal afirmou que tal movimento exigiria a retirada de Wellington Fagundes da disputa pelo Executivo estadual, condição considerada “inaceitável” pela cúpula partidária.
Pivetta, filiado ao Republicanos desde 2023, aposta na experiência administrativa — foi prefeito de Lucas do Rio Verde por três mandatos — para viabilizar candidatura própria ao governo. Entretanto, a participação de seu partido na administração federal tornou-se obstáculo para reaproximação com o PL.
Com o veto confirmado, o cenário eleitoral em Mato Grosso tende a manter PL e Republicanos em campos opostos na montagem de chapas para 2026. Ananias reiterou que a legenda seguirá dialogando apenas com siglas que se mantenham na oposição ao Palácio do Planalto e respeitem as chamadas “linhas vermelhas” traçadas pela direção nacional de Valdemar Costa Neto.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews
