A Federação Internacional de Futebol (FIFA) decidiu não atender aos pedidos de suspensão de Israel e confirmou que o país continuará participando das competições oficiais da entidade. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (3), momentos antes da reunião do Conselho da organização, em Zurique, na Suíça.
Em comunicado divulgado pelo presidente Gianni Infantino, a FIFA reiterou um apelo pela paz em Gaza, mas evitou citar explicitamente o nome de Israel. “A FIFA não pode resolver problemas geopolíticos, mas pode e deve promover o futebol em todo o mundo, explorando seus valores unificadores, educativos, culturais e humanitários”, destaca um trecho da nota.
Pressão internacional por sanções
A decisão ocorre em meio ao aumento da pressão de organismos internacionais e de federações nacionais que defendem punições ao futebol israelense. A campanha ganhou força após a Organização das Nações Unidas (ONU) classificar as ações militares de Israel na Faixa de Gaza como genocídio.
Na semana anterior, três especialistas independentes ligados à ONU solicitaram formalmente que FIFA e UEFA suspendessem Israel, argumentando que entidades esportivas não devem ignorar violações de direitos humanos. Paralelamente, autoridades da Espanha chegaram a cogitar boicotar a Copa do Mundo de 2026, caso a seleção israelense se classifique.
Dentro do continente europeu, a presidente da Federação Norueguesa de Futebol, Lise Klaveness, afirmou publicamente que trabalha para que punções sejam impostas ao país do Oriente Médio. “Se a Rússia está fora, Israel também deveria estar”, declarou em um podcast.
Comparação com a punição à Rússia
O posicionamento da FIFA contrasta com a medida adotada em fevereiro de 2022, quando a entidade e a UEFA suspenderam seleções e clubes russos imediatamente após a invasão da Ucrânia. A sanção contra a Rússia permanece em vigor até hoje.
Desde então, críticos argumentam que a FIFA utiliza critérios diferentes ao lidar com conflitos internacionais. Para defensores do banimento de Israel, a continuidade do país em torneios oficiais representa um “padrão duplo” por parte da confederação.
Números do conflito em Gaza
Conforme dados do Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas e considerados confiáveis pela ONU, mais de 66,1 mil palestinos morreram desde o início da ofensiva israelense. Entre as vítimas, 151 crianças teriam sucumbido a quadros de fome e desnutrição.
Enquanto isso, o calendário esportivo segue inalterado para clubes e seleções de Israel. A UEFA mantém a nação no cronograma das Eliminatórias para a Euro 2024 e a FIFA preserva sua participação nos torneios sob sua responsabilidade.
Até o momento, não há previsão de que o tema volte à pauta da entidade máxima do futebol mundial, apesar das pressões contínuas de grupos civis e de organizações de direitos humanos.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de MatoGrossoAoVivo
