Uma vistoria determinada pela Justiça revelou, em agosto, a consolidação de atividades agropecuárias dentro do Parque Estadual Cristalino 2, no norte de Mato Grosso. O relatório aponta a existência de cercas, pastagens formadas, pista de pouso, moradias de funcionários, barracões, escola com cerca de 40 crianças, currais e maquinário agrícola em plena unidade de conservação criada em 2001 para preservar florestas e sítios arqueológicos.
O pecuarista AJ Vilela, já condenado por desmatamento, foi identificado como principal ocupante da área vistoriada. Ele acompanhou o sobrevoo de helicóptero e o percurso em solo, realizados por representantes do governo estadual e oficiais de Justiça. A Advocacia-Geral da União (AGU) e o Ministério Público Federal (MPF), que reivindicam participação nas discussões sobre o futuro do parque, não foram chamados para a diligência.
Pressão ambiental e judicial
Desde sua criação, o Cristalino 2 enfrenta pedidos de anulação e invasões para expansão de pastagens. A inspeção judicial servirá de base para decisões sobre regularização fundiária e responsabilização dos ocupantes. Entidades ambientais alertam que a presença de infraestrutura consolidada dificulta a retomada da área pelo poder público.
Incêndios recorrentes
Além da expansão agropecuária, o parque sofre com queimadas constantes. Dados oficiais indicam que 29 mil hectares foram consumidos pelo fogo desde 2019, o equivalente a 11% da unidade apenas em 2024. No mês passado, outro incêndio destruiu 1.178 hectares. Especialistas relacionam o avanço das pastagens à maior incidência de focos de calor.
Próximos passos
O relatório da inspeção será encaminhado à Vara responsável pelo processo que discute a legalidade das ocupações. A Justiça ainda avalia pedidos de inclusão da AGU e do MPF nas negociações. Já a Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso afirma que aguarda decisão judicial para definir eventuais ações de fiscalização e remoção de estruturas irregulares.
Instituído há 24 anos, o Parque Estadual Cristalino 2 abrange 184 mil hectares de floresta amazônica. Ambientalistas consideram a área estratégica para a conservação da biodiversidade e para a proteção de pinturas rupestres localizadas em cavernas e paredões rochosos.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Folha de S.Paulo
