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Justiça reabre execução contra tios que escravizaram sobrinha

A 1ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (TRT-MT) determinou o rastreamento de bens de um casal de Chapada dos Guimarães, a 69 km de Cuiabá, condenado por manter a própria sobrinha em condições análogas à escravidão durante quase uma década.

O colegiado acolheu recurso da Defensoria Pública da União (DPU) e anulou o arquivamento do processo, garantindo a continuidade da cobrança de verbas trabalhistas e de uma indenização fixada em R$ 30 mil. A jovem foi libertada em setembro de 2019, após operação de auditores fiscais do trabalho.

Exploração começou quando a vítima era criança

De acordo com os autos, o ciclo de violência teve início em 2011. Órfã de pai, mãe e avó, a menina ficou sob guarda legal dos tios. Em vez de receber cuidados, foi submetida a tarefas domésticas exaustivas, sem salário, alimentação adequada ou condições dignas de moradia.

Ao completar 18 anos, a vítima tentou escapar, mas foi localizada pelos tios e forçada a voltar para o regime de servidão. A situação só terminou oito anos depois, no momento do resgate.

Arquivamento derrubado

A 5ª Vara do Trabalho de Cuiabá havia extinguido a execução porque a trabalhadora não indicou patrimônio dos réus para penhora. A DPU recorreu, alegando que a exigência transfere à vítima um ônus incompatível com sua condição socioeconômica.

No TRT-MT, o relator Paulo Barrionuevo acompanhou voto divergente do desembargador Tarcísio Valente e citou precedentes da Corte Interamericana de Direitos Humanos para classificar o trabalho escravo contemporâneo como imprescritível.

“Penalizar a vítima por não localizar bens de seus exploradores seria ignorar a assimetria radical entre explorador e explorado”, registrou Barrionuevo no acórdão.

Procura por imóveis, veículos e contas bancárias

Com a decisão, a execução volta à vara de origem e permanecerá ativa até que sejam encontrados imóveis, veículos ou valores em contas bancárias suficientes para quitar a condenação. O tribunal também autorizou a utilização de sistemas de pesquisa patrimonial como Infojud, BacenJud e Renajud.

A DPU comemorou o resultado, destacando que a medida reforça a proteção às vítimas de trabalho escravo e inibe a impunidade de agressores que tentam ocultar patrimônio.

Não há prazo definido para a conclusão das buscas, mas o processo seguirá em aberto até que todos os créditos trabalhistas e a indenização por danos morais sejam integralmente quitados.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Repórter MT

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