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Impeachment nem pensar, Maia rechaça qualquer possibilidade e partidos formam bloco pra defender Bolsonaro

Centrão assume a defesa de Bolsonaro e disparam, “não haverá Impeachment”, agrupamento de siglas como PP, PL, Republicanos, PTB, Solidariedade e PSD defendem o presidente.

Agora, alguns desses políticos questionam nos bastidores as declarações feitas por Moro ao anunciar sua saída do governo.

Destoando até de apoiadores de Jair Bolsonaro que nesta sexta-feira (24) manifestaram críticas, o centrão assumiu a linha de frente da defesa do presidente da República e diz não haver, por ora, clima para impeachment.

Líderes do agrupamento de siglas como:  Solidariedade, PP, PL, Republicanos, PTB e PSD – esse último nega fazer parte oficialmente -, passaram as últimas semanas em encontros com Bolsonaro, que projetam a expansão da distribuição de emendas a essas legendas com o objetivo de criar uma base mínima que evite, exatamente, o desenrolar de um processo de Impeachment.

Em linhas gerais, a maioria afirma ainda que a crise aberta agora reforça a necessidade de uma aliança em torno do presidente.

Para o deputado, que integra a legenda comandada por Valdemar Costa Neto (PL), é preciso haver harmonia nesse momento.

“O processo de impeachment é um processo complicado, para casos de uma gravidade muito grande, não vejo o país em condições de fazer um processo dentro do parlamento”.

A mesma linha de moderação é defendida pelo deputado Paulo Pereira da Silva, presidente do Solidariedade.

“Nossa função neste momento é garantir governabilidade para ele tocar o país. Temos 400 mortes por dia e uma crise econômica sem precedentes. Se alguém imagina que tem que tirar o presidente, não conte comigo”, afirma.

“O momento maior é de combate à pandemia, não podemos fazer com que a demissão de um ministro possa parar o país. Essa é a orientação do PL, que sempre preservou as condições de governabilidade”, diz o líder da bancada na Câmara, Wellington Roberto (PB).

Políticos desse bloco, vários deles são críticos da atuação de Sergio Moro, e mantiveram uma atuação contrária a seus interesses depois que ele assumiu o Ministério da Justiça.

No início do governo Bolsonaro, o centrão participou de articulações para retirar das mãos de Moro o comando do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

Agora, alguns desses políticos questionam nos bastidores as declarações feitas por Moro ao anunciar sua saída do governo – indício de que o bloco está disposto a rebater o ex-juiz para dar respaldo político a Bolsonaro.

Um processo de impeachment só tramita com autorização do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que, embora hoje rompido com Bolsonaro, não tem demonstrado a menor disposição, dizem integrantes do centrão, de deflagrar o processo.

Caso haja essa autorização, é preciso o voto de pelo menos 342 dos 513 deputados para que o Senado seja autorizado a processar o presidente, momento em que ele seria afastado do cargo.

O centrão reúne um bloco de deputado que, somados aos bolsonaristas remanescentes no PSL, está em torno de 190 parlamentares, ou seja, pouco mais do que o mínimo necessário para barrar eventual processo (172).

Presidente do PTB e um dos mais novos defensores de Bolsonaro, o ex-deputado Roberto Jefferson, disse lamentar a saída de Moro do governo, mas também adota um tom de cautela.

“O presidente tem a versão dele, e o ministro tem outra. Se ele tiver provas, cria uma situação difícil para o presidente, mas é preciso sustentar com provas. Se não houver, são declarações sem valor”, afirma.

Jefferson, no entanto, criticou o momento da demissão. “O Moro deu um banho de água fria no Brasil. A ação dele foi tão ruim como a invasão do vírus da Covid-19. Não era hora de ele sair.”

Ele afirmou ainda, não acreditar em um pacto de governabilidade entre Bolsonaro e o centrão.

“Isso não existe. Eu vi isso acontecer lá atrás com o Collor. Isso é conversa de esperto para tirar vantagem do governo. Ou tem condição de governar ou não tem. Se não tem, melhor que ele siga o caminho dele”, disse.

Alguns dos líderes do centrão concordam com o diagnóstico de que Bolsonaro sai fragilizado do confronto aberto com Moro e, por isso, precisará ainda mais do apoio desses parlamentares. Isso faz com que o passe do bloco se valorize nas conversações com o Palácio do Planalto.

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