Brasília – O deputado federal Paulinho da Força (SD-SP), relator do projeto que trata de anistia a condenados pela tentativa de golpe de Estado, afirmou que a proposta original do deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ) “não tem condição” de ser implementada. Segundo ele, o texto que teve urgência aprovada na Câmara será profundamente alterado e deverá limitar-se a reduzir penas dos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro, sem contemplar perdão ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Pelo que já foi discutido, todos sabem que uma anistia ampla não passa”, declarou Paulinho, em entrevista ao portal Metrópoles. O parlamentar acrescentou que o próprio projeto usado como base para a urgência já não previa mais o benefício geral. “Mesmo o perdão sugerido por Crivella serviu apenas para justificar a votação de urgência; ele não é aplicável”, reforçou.
Conversas com aliados bolsonaristas
Apesar da rejeição ao perdão irrestrito, o relator informou que está dialogando com lideranças ligadas ao ex-presidente. Ele relatou encontros com o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), e conversas telefônicas com o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), além do presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI). “Ainda vou conversar com muita gente”, disse.
Paulinho também se reuniu com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para avaliar a tramitação futura. Segundo o relator, há possibilidade de o projeto avançar na Casa se o caminho escolhido for apenas a redução de penas. Alcolumbre vem repetindo publicamente que não colocará em votação uma anistia que alcance Bolsonaro.
Decisão do STF pesa contra perdão
O Supremo Tribunal Federal condenou Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por crimes como organização criminosa e tentativa de golpe. Essa decisão reforça a resistência no Senado a qualquer medida que possa anular ou suspender a pena do ex-chefe do Executivo.
Com a sinalização de Paulinho da Força, o relatório deve limitar-se a atenuar punições de participantes dos atos de 8 de Janeiro, excluindo figuras de alto escalão. A expectativa é de que a nova versão seja apresentada ainda neste semestre para posterior análise dos parlamentares.
Sem apoio no Senado e com a articulação de forças governistas e parte da oposição, a perspectiva de um perdão amplo perdeu fôlego. O foco agora, de acordo com o relator, é buscar um texto que “agrade aos dois lados” ao mesmo tempo em que mantenha viabilidade política.
A data para entrega do parecer definitivo ainda não foi definida, mas Paulinho afirmou que pretende concluir as negociações nas próximas semanas, a fim de consolidar um consenso mínimo entre os principais partidos da Câmara e do Senado.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews
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