A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, classificou como “infundadas e levianas” as acusações feitas pelo União Brasil de que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria relação com a citação do nome do presidente da legenda, Antonio Rueda, em investigação da Polícia Federal sobre o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Em mensagem publicada na rede social X na manhã desta quinta-feira (18/9), Gleisi afirmou que “não é verdade” que o Palácio do Planalto esteja por trás das reportagens que ligam Rueda à Operação Carbono Oculto, que apura a infiltração da facção criminosa nos setores financeiro e de combustíveis.
“Repudio as acusações falsas. O partido tem o direito de retirar seus integrantes do governo, mas não pode responsabilizar o Executivo por publicações de terceiros”, escreveu a ministra.
Ultimato para deixar o governo
A reação da chefe da articulação política ocorreu poucas horas depois de a direção nacional do União Brasil fixar prazo de 24 horas para que seus filiados entreguem os cargos que ocupam no Executivo federal. Inicialmente, o desembarque do partido estava previsto para o fim de abril, mas a nota da Executiva antecipou a saída em razão da repercussão das suspeitas sobre Rueda.
Reportagem da colunista Andreza Matais, do portal Metrópoles, revelou que a Polícia Federal identificou Rueda como proprietário de aeronaves supostamente usadas em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. A informação motivou a ofensiva do partido contra o Planalto.
Rueda nega envolvimento e fala em perseguição
Em pronunciamento, Antonio Rueda afirmou ser alvo de “ilações irresponsáveis e sem qualquer lastro fático”. O dirigente declarou enxergar interesse político por trás das notícias e assegurou que não há provas de sua participação em atividades ilícitas.
A Executiva Nacional do União Brasil divulgou nota de solidariedade ao presidente da sigla. O vice-presidente do partido, Antônio Carlos Magalhães Neto, disse causar “profunda estranheza” a divulgação das suspeitas poucos dias após a decisão de rompimento com o governo.
Situação de ministros na Esplanada
Com o ultimato, o caso mais sensível é o do ministro do Turismo, Celso Sabino, principal representante do União Brasil na Esplanada dos Ministérios. Interlocutores do Palácio do Planalto afirmam que Sabino poderá permanecer no cargo, caso opte por se licenciar da sigla ou mudar de legenda, possibilidade ainda não confirmada pelo próprio ministro, que não atendeu aos questionamentos da reportagem.
Além de Sabino, ocupam postos no governo quadros indicados pelo partido em segundo e terceiro escalões. A ordem da Executiva é que todos entreguem suas funções até esta sexta-feira (19/9). Até o início da tarde de hoje, nenhum pedido de exoneração havia sido protocolado no Diário Oficial da União.
Articulação política
No Planalto, a avaliação é de que a decisão do União Brasil não compromete a base de apoio no Congresso, mas dificulta votações em que a legenda costumava orientar parte de sua bancada a favor do governo. Gleisi Hoffmann, responsável pela negociação com deputados e senadores, deve intensificar conversas individualizadas para garantir quórum nas próximas pautas.
Para a ministra, a tentativa de atrelar o Planalto às investigações é “inaceitável” e visa criar “factoides” em meio ao rearranjo de forças políticas na Câmara dos Deputados e no Senado.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Metrópoles
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