Wendel dos Santos Silva, conhecido como “Xexeu”, 38 anos, confessou nesta quinta-feira (18) ter assassinado a noiva, Leidiane Ferro da Silva, 43, a golpes de faca em Peixoto de Azevedo, município a 674 km de Cuiabá. Ele está sendo julgado pelo Tribunal do Júri sob acusação de feminicídio, em sessão conduzida pelo juiz João Zibordi Lara e transmitida ao vivo pelo canal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso no YouTube.
Durante o depoimento, o réu chorou continuamente e afirmou lembrar apenas de ter “pegado a faca”. Em vários momentos, tentou atribuir a culpa à vítima, alegando que sofria maus-tratos. A promotora de Justiça Andreia Monte Alegre interrompeu as evasivas, classificando a postura como “covarde” pelo fato de o acusado tentar se apresentar como bom homem ao mesmo tempo em que desferiu, segundo a denúncia, pelo menos seis facadas na companheira.
A representante do Ministério Público destacou que Leidiane havia sido alvo de violência doméstica anterior, sem nunca registrar boletim de ocorrência. De acordo com a promotora, enquanto permanecia foragido, Wendel publicou nas redes sociais mensagens ofensivas à Lei Maria da Penha e às mulheres em geral. Ele confirmou no plenário ter feito as postagens e admitiu ter enviado ofensas à ex-cunhada poucas horas depois do crime.
Detalhes da acusação
Conforme a denúncia, o homicídio ocorreu por volta das 12h40 de 15 de abril de 2024, na residência onde o casal morava. O Ministério Público sustenta que Wendel agiu com intenção de matar, utilizando arma branca e impossibilitando a defesa da vítima. Laudo pericial atestou que Leidiane morreu em decorrência dos ferimentos provocados pelas facadas.
Testemunhas relataram que, no dia do crime, a vítima pediu à enteada que solicitasse ao pai que deixasse a casa, devido às constantes discussões. Ao receber o pedido, o acusado se recusou a sair, discutiu com a noiva e, em seguida, pegou a faca usada na agressão. Após o ataque, ele fugiu.
Imagens de uma câmera de segurança instalada dentro da residência registraram toda a ação. Dois meses antes, o mesmo sistema havia gravado Wendel aplicando um golpe “mata-leão” em Leidiane, que chegou a desmaiar e cair ao chão.
Momento no júri
Em plenário, além de admitir a autoria, o réu confirmou que produziu publicações nas redes sociais em que atacava a legislação de proteção às mulheres, afirmando que preferiria ser preso “morto” a obedecer à Lei Maria da Penha. A promotora enfatizou que tais declarações reforçam o histórico de violência e misoginia, sustentando a qualificadora de feminicídio.
A sessão prossegue com a oitiva de testemunhas e, posteriormente, os debates entre acusação e defesa. A previsão é de que o Conselho de Sentença decida ainda hoje sobre a responsabilidade criminal de Wendel e a possível pena a ser aplicada.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews
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