A Terceira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) decidiu, por unanimidade, indeferir o pedido de desbloqueio de bens solicitado pelos investigados na Operação Safra Desviada. O grupo, que inclui Nadim Makari, Cláudia Angélica Martins Makari, além das empresas Sorriso Indústria Têxtil Ltda. e Fibra Cotton Investimentos e Participações Ltda., é alvo de apurações do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) por um esquema que teria gerado um prejuízo de R$ 140 milhões ao Grupo Lermen.
Argumentos da defesa e decisão do relator
Os investigados recorreram contra uma decisão anterior do Núcleo de Justiça 4.0, que havia determinado a indisponibilidade de ativos financeiros até o limite de R$ 24 milhões para cada um dos envolvidos. A defesa alegou que o bloqueio estaria inviabilizando a continuidade das atividades empresariais, citando especificamente a impossibilidade de quitar salários de 32 colaboradores, cujo montante total somaria R$ 129.803,68.
Em decisão proferida no dia 20 de maio, o relator do caso, desembargador Gilberto Giraldelli, refutou os argumentos. Segundo o magistrado, o valor efetivamente bloqueado nas contas da Sorriso Indústria Têxtil foi de apenas R$ 1.546,71. O desembargador pontuou que essa quantia é insuficiente para causar a asfixia financeira alegada pela empresa, sugerindo que a organização possua outras fontes de liquidez ou tenha realizado movimentações prévias de recursos.
Contexto da Operação Safra Desviada
A operação, deflagrada pelo Gaeco em 25 de fevereiro deste ano, investiga uma organização criminosa estruturada para o desvio de grãos, ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro. As ordens judiciais, que somaram 180 mandados, foram cumpridas em diversos municípios de Mato Grosso, além de estados como Paraná, São Paulo, Pernambuco e Maranhão.
As investigações apontam para a prática de crimes como furto qualificado, estelionato contra idosos e falsidade ideológica. Um dos pontos que despertou atenção das autoridades foi a utilização de plataformas de apostas esportivas para a ocultação e movimentação do capital ilícito. Além do bloqueio de contas bancárias de 56 alvos, a Justiça determinou o sequestro de mais de 70 veículos e a indisponibilidade de imóveis de 20 pessoas físicas e jurídicas.
Entre os alvos da operação em Mato Grosso estão nomes como Joheberton da Silva Rondon, Suelene Aparecida do Carmo Nascimento, Felipe Faccio, Michele Faccio, Neodir Brandeleiro, Cledemir Luís Mocellin, Joseandro Gomides da Cruz Lima, Sabrina Castilho Claro, Renan da Silva Rondon, Lucas Modesto Riboldi, Joevan Silva Dias, Fabiano Alipi da Silva, Monara Cervi, Maria Eduarda Mello, Ariozano Timóteo Junior e José Carlos Orta Junior.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RepórterMT
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