O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, classificou como “muito estranha” a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar contratos da Secretaria de Estado de Saúde (SES) que já foram alvo da Operação Espelho. A declaração foi dada durante o lançamento da construção da Escola Estadual Professora Maria Hermínia Alves, no bairro CPA 4, em Cuiabá.
Mendes destacou que o Poder Legislativo tem respaldo legal para instaurar CPIs, mas disse causar “estranhamento” o fato de o pedido ocorrer em ano eleitoral e versar sobre fatos analisados anteriormente pela Polícia Civil e pelo Ministério Público Estadual. “Não existe contemporaneidade neste pedido. Os episódios já foram investigados, concluídos e denunciados. Não há fato novo”, afirmou.
Requerimento tramitou por dois anos
O requerimento que originou a CPI foi apresentado pelo deputado Wilson Santos (PSD) em 2023, mas não avançou por falta da oitava assinatura exigida pelo regimento da Assembleia Legislativa. Em 31 de janeiro de 2026, o parlamentar recolheu o apoio que faltava e o colegiado foi formalmente criado.
Após a instalação, alguns deputados solicitaram a retirada de seus nomes da comissão, alegando que não foram consultados sobre a retomada do pedido. Mendes disse ter conhecimento da movimentação e reforçou que, em período de campanha, iniciativas como essa costumam ganhar força: “É natural que surjam questões com vários objetivos em ano eleitoral, mas é preciso responsabilidade para não criar barulho desnecessário”.
Operação Espelho e suspensão na Justiça Federal
Deflagrada em 2023, a Operação Espelho investigou suspeitas de fraude e direcionamento de contratos firmados pela SES durante a pandemia de Covid-19. O Ministério Público de Mato Grosso apontou a participação de empresários e servidores da saúde, denunciando 21 pessoas.
Em setembro de 2024, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) suspendeu a ação penal e os inquéritos ao constatar que os contratos envolviam recursos federais, o que transferiu a competência do caso para a Justiça Federal. Com a decisão, o processo ficou paralisado.
Na época, a SES afirmou que todos os contratos seguiram trâmites legais e foram acompanhados pela Controladoria-Geral do Estado (CGE). Segundo a pasta, não houve prejuízo aos cofres públicos.
Próximos passos na Assembleia
Com os pedidos de retirada de assinaturas, a continuidade da CPI depende agora da presidência da Assembleia Legislativa, que terá de avaliar se o número mínimo de oito apoios ainda está assegurado. Caso contrário, o colegiado poderá ser extinto antes mesmo de iniciar os trabalhos.
Enquanto isso, o governo estadual aguarda o desfecho parlamentar. “Todo mundo tem o direito de ser candidato, mas também tem o dever de agir corretamente no cargo que ocupa”, reforçou Mendes.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews
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