A Polícia Civil de Goiás efetuou a prisão de uma mulher de 26 anos na última quinta-feira (18), na cidade de Urutaí, sob a acusação de orquestrar um esquema de estelionato que teria vitimado mais de 200 praticantes de crossfit no Distrito Federal e em diversas localidades goianas. A suspeita utilizava a falsa narrativa de que sua filha de três anos estaria gravemente enferma com câncer, necessitando de tratamento urgente e custoso, para sensibilizar e extorquir dinheiro de suas vítimas.
A Farsa do Câncer e a Rede de Vítimas
As investigações conduzidas pelo Grupo Especial de Investigações Criminais (GEIC) de Catalão revelaram a metodologia da golpista. Ela se inseria em academias e boxes de crossfit, apresentando-se como parte da comunidade esportiva para ganhar a confiança dos frequentadores. A história contada era sempre a mesma: a filha havia sido diagnosticada com leucemia linfoblástica aguda (LLA) e precisava de exames de alto custo para verificar uma possível metástase, um cenário que, segundo a polícia, nunca existiu.
Para arrecadar os valores, a mulher promovia rifas e solicitava doações diretas via Pix. O impacto de suas ações foi sentido em pelo menos quatro bairros de Catalão, além de outras cidades goianas e no Distrito Federal. Uma das vítimas, que frequenta um box de crossfit na capital federal, relatou a experiência: “Ela contou que precisava arrecadar dinheiro para exames da filha. Muitas pessoas se sensibilizaram e fizeram Pix para ajudá-la”, disse, demonstrando a eficácia da manipulação emocional.
Outro depoimento de uma pessoa lesada ilustra a dimensão do golpe: “Comprei rifas e até hoje estou esperando meu número para o sorteio”, afirmou a vítima, que aguardava um sorteio que nunca aconteceria. A astúcia da suspeita em explorar a solidariedade da comunidade esportiva permitiu que ela mantivesse o esquema ativo por um período considerável, acumulando uma quantia significativa.
A Operação Policial e as Evidências
A prisão da mulher foi resultado de uma operação conjunta entre a Polícia Civil e a Polícia Militar de Goiás. No momento da abordagem, seu companheiro também foi detido e encaminhado à delegacia para prestar esclarecimentos sobre seu possível envolvimento no esquema. Durante a ação policial, os agentes apreenderam uma quantia de aproximadamente R$ 17 mil em espécie, que se presume ser parte dos valores obtidos ilicitamente.
A confirmação de que a doença da criança era uma invenção foi um ponto crucial para a formalização da acusação. A mulher foi autuada pelo crime de estelionato, que no Brasil é tipificado pelo artigo 171 do Código Penal. As investigações continuam em andamento, com o objetivo de identificar todas as vítimas do golpe, estimar o montante total desviado e apurar a participação de outras pessoas no esquema. A Polícia Civil reforça a importância de denunciar casos de fraude para coibir a prática de crimes como este, que se aproveitam da boa-fé alheia. Para mais informações sobre o crime de estelionato e suas implicações legais, você pode consultar o Jusbrasil.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RepórterMT
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