O desembargador Juvenal Pereira da Silva, membro do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), determinou a exoneração imediata da servidora comissionada Mhayra Alves Pacheco Abes. A decisão ocorreu após a deflagração da Operação Falsa Vantagem pela Polícia Civil, no dia 25, que investiga um complexo esquema de venda de influência em decisões judiciais na capital mato-grossense. O magistrado afirmou não ter conhecimento prévio sobre a suposta participação da ex-servidora nos fatos apurados.
Operação Falsa Vantagem e a exoneração da servidora
A Operação Falsa Vantagem tem como alvo um grupo suspeito de atuar na manipulação de processos judiciais, prometendo benefícios em troca de pagamentos em dinheiro. Entre os investigados estão um advogado, um policial e a própria servidora do Judiciário, agora exonerada do gabinete do desembargador Juvenal Pereira. A investigação apura a venda e alteração de sentenças, prática que compromete a integridade do sistema judicial em Cuiabá.
Desembargador nega conhecimento e TJMT garante colaboração
Em nota oficial, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso informou que tomou conhecimento do caso por meio da imprensa. Assim que as informações sobre a possível participação de Mhayra Alves Pacheco Abes vieram à tona, o desembargador agiu prontamente para afastá-la de suas funções. “O desembargador esclarece que não possuía qualquer conhecimento prévio dos fatos investigados e reitera sua confiança no trabalho das autoridades responsáveis pela apuração do caso”, diz um trecho do comunicado emitido pelo TJMT.
O Poder Judiciário de Mato Grosso reafirmou seu compromisso inabalável com a legalidade, a ética, a transparência e a integridade institucional. Em seu posicionamento, o Tribunal colocou-se à inteira disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações, garantindo o completo esclarecimento dos fatos. Além disso, o TJMT assegurou que, caso a participação da ex-servidora seja comprovada, todas as responsabilidades serão apuradas pelas instâncias competentes, sempre em estrita observância ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, direitos fundamentais de qualquer acusado.
Promessa de anulação de pena por R$ 150 mil em dinheiro
As investigações da Polícia Civil revelam que o grupo criminoso prometia a familiares de um condenado a anulação da pena imposta pela Justiça. Para concretizar essa promessa, os envolvidos alegavam ter grande influência sobre uma servidora responsável pelo andamento de processos judiciais. O valor cobrado para garantir o suposto benefício era de R$ 150 mil, exigido em dinheiro vivo, uma tática que, segundo a polícia, tinha como objetivo dificultar o rastreamento dos valores e a identificação dos envolvidos.
Contrariando as promessas do grupo, o condenado não obteve a anulação de sua condenação, mas apenas uma redução da pena. Insatisfeito com o desfecho e sentindo-se lesado, ele passou a cobrar a devolução do dinheiro pago, um fato que também está sob investigação da Polícia Civil. Este desdobramento adiciona uma nova camada à complexidade do caso, indicando que as vítimas do esquema também buscaram reaver os valores perdidos.
Polícia Civil intensifica busca por provas e envolvidos
O delegado Marlon Luz, responsável pela condução da Operação Falsa Vantagem, detalhou que os mandados cumpridos visam apreender uma vasta gama de materiais. Entre os itens procurados estão celulares, computadores, documentos e outros objetos que possam fornecer evidências cruciais para o esclarecimento dos fatos e a identificação de todos os possíveis envolvidos no esquema de corrupção. A ação policial busca desarticular completamente a rede criminosa e restaurar a confiança na Justiça.
A exoneração da servidora e a continuidade das investigações reforçam a postura do Judiciário mato-grossense em combater qualquer desvio de conduta e garantir a lisura de seus procedimentos. A colaboração entre as instituições é fundamental para coibir práticas ilícitas e preservar a credibilidade do sistema de justiça no estado.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Tribunal de Justiça de Mato Grosso
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