Brasília – A formação de leitores começa antes mesmo da alfabetização e depende da soma de esforços entre governo, escolas, famílias e espaços culturais. Para consolidar essa articulação, o Ministério da Educação (MEC) criou a Comunidade Nacional de Gestores de Políticas de Primeira Infância, que está com adesão aberta a municípios, estados e Distrito Federal até 31 de julho.
Coordenada pela Subsecretaria da Política Nacional Integrada da Primeira Infância (SNPPI), a rede reúne servidores responsáveis por ações voltadas a bebês e crianças de até seis anos. O objetivo é fortalecer a implantação da Política Nacional Integrada da Primeira Infância (PNIPI) por meio de cooperação federativa, troca de experiências e capacitação para planejar, executar, monitorar e avaliar programas destinados ao público infantil.
Eixos de atuação
Instituída pela Portaria nº 540/2026, a comunidade funciona em dois eixos:
Pactuação e Articulação Federativa – prevê oficinas, seminários e encontros técnicos destinados a discutir projetos para a primeira infância e estimular parcerias entre os entes.
Desenvolvimento de Capacidades Institucionais – abrange criação de instrumentos de gestão, sistemas de informação, protocolos de monitoramento e cursos de formação para gestores.
Experiências apresentadas na Flip
Os princípios que embasam a iniciativa do MEC foram debatidos na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Durante a Flipinha e a FlipEduca, educadores, escritores e artistas defenderam o contato precoce com livros como fator decisivo para a aprendizagem.
A atriz e educadora Cláudia Ribeiro dirige grupos de teatro infantojuvenil no contraturno escolar. Nos ensaios, os participantes lêem textos dramáticos, estudam personagens e criam espetáculos apresentados em escolas do município. Segundo a artista, a combinação de arte e educação aprofunda o interesse das crianças pela leitura e estimula a participação das famílias no processo formativo.
Para a escritora e produtora cultural Elisa Pereira, autora do livro infantil “Quintal do Vô Benê”, o hábito de ler deve começar na gestação e envolver toda a família. Ela destaca o papel dos cuidadores masculinos, como avôs e pais, na construção de vínculos afetivos mediados pela leitura.
Na rede municipal do Rio de Janeiro, a professora Glaucia Abreu observa que muitas crianças têm o primeiro contato sistemático com livros na escola, mas os resultados são mais abrangentes quando o incentivo continua em casa. “Precisamos que a imaginação desperte também na base familiar”, afirmou durante a programação.
Integração necessária
Os relatos da Flip refletem a proposta da comunidade criada pelo MEC: unir diferentes setores para ampliar o acesso de meninos e meninas a livros, histórias e manifestações artísticas. Ao promover uma rede permanente de cooperação, o Ministério espera que governadores e prefeitos consolidem políticas capazes de ofertar bibliotecas, formações e programas de leitura desde a primeira infância.
Gestores interessados em participar devem formalizar a adesão até 31 de julho na plataforma oficial do MEC. Depois de inscritos, passam a integrar grupos de trabalho, receber material técnico e participar de eventos presenciais e virtuais ao longo do ano.
Com a mobilização de governos, escolas e famílias, a expectativa é que mais crianças conheçam o universo da literatura cedo, desenvolvam a criatividade e construam repertório cultural sólido para toda a vida.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Ministério da Educação
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