O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Instituto Nacional do Semiárido (INSA) anunciaram, nesta sexta-feira (30), no Recife, a expansão da tecnologia social de Saneamento Ambiental e Reúso de Água (SARA). O plano prevê investimento de R$ 21 milhões para a instalação de 41 novas unidades do sistema, responsável por coletar e tratar esgoto domiciliar, escolar e comunitário, transformando-o em água de reúso e nutrientes destinados à agricultura familiar.
O lançamento ocorreu no Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene) e contou com a presença da ministra Luciana Santos. Segundo ela, a iniciativa consolida uma solução “aproveitada pelas comunidades” e agora caminha para se tornar política pública permanente.
Novas unidades e abrangência
Cada uma das 41 estruturas adicionais — de caráter escolar ou comunitário — poderá atender até 100 famílias. Além da implantação, o projeto inclui a revitalização dos sistemas já existentes, avaliação dos impactos socioeconômicos e ambientais, expansão do reúso com foco na produção de bioprodutos e a criação de um modelo de governança colaborativa da água pelas comunidades beneficiadas.
Os recursos para a ampliação vêm do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e serão operacionalizados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O diretor do INSA, Etham Barbosa, ressaltou que o SARA é “uma solução simples, de baixo custo e com grande impacto para os povos do campo”, em operação desde 2018.
Meta de 413 sistemas ativos
Atualmente, o projeto soma 372 unidades instaladas ou em fase de instalação em nove estados do Semiárido. Com a nova etapa, o total chegará a 413 sistemas. Os municípios contemplados ainda serão definidos.
Para o secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social do MCTI, Inácio Arruda, o arranjo comunitário de saneamento rural e reúso de água contribui diretamente para a economia circular e para a produção em pequenas propriedades, cenário comum no interior do Nordeste.
Funcionamento do SARA
A tecnologia atua em três etapas. Primeiro, ocorre a sedimentação de sólidos; em seguida, a matéria orgânica é degradada em um reator anaeróbio; por fim, a água passa por lagoas de desinfecção, eliminando 99,99 % dos patógenos. O processo preserva nutrientes, deixando o líquido pronto para irrigação de cultivos familiares.
Depoimentos e resultados
Durante o evento, houve inauguração simbólica das unidades já concluídas. Representando uma escola de Cabaceiras (PB), Jerônimo Sampaio destacou que o sistema trouxe benefícios diretos à comunidade, reforçando a produção agrícola e o cuidado com o meio ambiente.
Nos últimos três anos, o MCTI destinou R$ 844 milhões a ações de pesquisa, desenvolvimento e inovação voltadas à segurança alimentar e combate à fome, recursos também oriundos do FNDCT. A ampliação do SARA integra esse conjunto de iniciativas e busca garantir dignidade, segurança hídrica e alimentar às populações do Semiárido, contribuindo para a permanência das famílias no campo.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
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