O deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP), ex-ministro do Meio Ambiente, fez declarações contundentes em um evento recente em Cuiabá, direcionando suas críticas ao Centrão e, em particular, ao presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar da Costa Neto. Salles afirmou que o grupo político estaria “mamando no Brasil” tanto em administrações de direita quanto de esquerda, levantando uma polêmica que ressoa no cenário político nacional às vésperas das eleições de 2026.
As declarações foram proferidas durante uma entrevista à imprensa no evento da Lide Mato Grosso, realizado no Parque Novo Mato Grosso, na capital mato-grossense, na última semana. O parlamentar, que integrou o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, não poupou palavras ao descrever a atuação do Centrão, grupo conhecido por sua influência e capacidade de negociação no Congresso Nacional.
Críticas ao Centrão e à “Velha Política”
Salles identificou Valdemar da Costa Neto como o líder inconteste do Centrão há duas décadas, associando-o diretamente ao PL e ao antigo PR. “O Centrão é o Valdemar, né? O Valdemar como líder do PL, que antes era o PR, que participou do governo da Dilma, que participou do governo do Lula. Enfim, toda a história do Centrão se confunde com o PL e com o PR. São os partidos que há 20 anos, esses partidos do Centrão, estão mamando no Brasil”, polemizou o deputado em sua fala. A expressão “mamando no Brasil” é uma crítica direta à suposta busca por benefícios e cargos por parte do grupo político.
A fala de Salles sugere uma continuidade de práticas que, segundo ele, visam a obtenção de vantagens e o acesso a recursos públicos, independentemente da orientação ideológica do governo em exercício. Ele enfatizou que o Centrão se adapta para manter seus privilégios e sua influência, seja com a direita ou com a esquerda no poder, caracterizando uma atuação pragmática e focada em interesses próprios, e não em pautas ideológicas.
Diferença entre Políticos e Interesses
O ex-ministro aprofundou sua crítica ao traçar uma distinção clara entre os políticos que, em sua visão, atuam por princípios e convicções e aqueles que ingressam na vida pública com o objetivo de fazer negócios. “Quando a direita está no poder, eles mamam com a direita. Então nós precisamos separar primeiro as pessoas que estão na política por princípios e valores, por ideologia, por convicções e aqueles que estão na política para fazer negócio”, declarou Salles, reforçando a necessidade de uma política mais transparente e menos suscetível a barganhas.
Essa diferenciação, segundo o deputado, é crucial para a população entender as verdadeiras motivações por trás das ações políticas e para que haja uma renovação genuína na representação popular. Salles defende que a política deve ser um instrumento de serviço público e não uma plataforma para enriquecimento ou para a promoção de interesses particulares de grupos específicos.
Tensões no Campo Conservador para 2026
O posicionamento de Ricardo Salles evidencia uma tensão persistente dentro do espectro da direita brasileira, especialmente em um período pré-eleitoral intenso. Setores ligados ao bolsonarismo frequentemente buscam se desvincular da imagem do Centrão e do que chamam de “velha política”, prometendo uma nova forma de governar. No entanto, o próprio Partido Liberal (PL), ao qual o ex-presidente Bolsonaro é filiado e cujo presidente é Valdemar da Costa Neto, possui fortes raízes e ramificações nesse mesmo espectro político, o que gera uma contradição interna.
A declaração de Salles em Cuiabá, portanto, não apenas reacende o debate sobre a influência e o papel do Centrão na política nacional, mas também expõe as contradições e os desafios internos que o campo conservador enfrenta ao tentar consolidar uma identidade política para as eleições de 2026. A busca por um alinhamento que seja coerente com o discurso de renovação e combate à “velha política” nem sempre se coaduna com a realidade das alianças partidárias e das negociações de poder em Brasília. Essa dicotomia pode ser um fator determinante na formação de chapas e na estratégia eleitoral dos grupos políticos que se preparam para o próximo pleito.
A crítica de Salles, um parlamentar que já fez parte da base de apoio do governo Bolsonaro, contra o líder do partido do ex-presidente, sublinha a complexidade das relações e a disputa por narrativas dentro da própria direita, que se projeta para as próximas disputas eleitorais. A forma como essas tensões serão gerenciadas pode definir os rumos de importantes alianças e estratégias políticas no Brasil. Para mais informações sobre a atuação de deputados federais e a composição partidária, consulte o site oficial da Câmara dos Deputados.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RepórterMT
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