O mercado brasileiro de arroz mantém ritmo lento e sem oscilações significativas nas últimas semanas. Consultorias apontam um cenário de equilíbrio frágil entre oferta e demanda, sustentado principalmente por compras pontuais da indústria e do varejo.
Demanda interna dita o ritmo
Segundo o consultor Evandro Oliveira, da Safras & Mercado, a recente firmeza dos preços está mais relacionada a picos de procura no mercado interno do que a mudanças estruturais. A recomposição de estoques por parte de beneficiadoras, em momentos esporádicos, chegou a provocar leve pressão sobre a oferta disponível, mas não foi suficiente para criar tendência consistente de alta.
As exportações continuam com participação modesta na formação de preços. A limitação de crédito que atinge o agronegócio desde o segundo semestre de 2025 reduziu investimentos produtivos e segue influenciando a dinâmica das negociações.
Condições climáticas divergentes
O clima permanece como principal ponto de atenção. No Rio Grande do Sul, maior produtor nacional, chuvas irregulares e baixa umidade do solo exigem manejo hídrico mais intensivo, elevando o risco de quebra de produtividade. Em Santa Catarina, a irregularidade das precipitações também limita ganhos e deixa produtores em posição defensiva.
Em contraponto, Tocantins e Mato Grosso registram boa umidade e sinalizam safra regular, funcionando como contrapeso às incertezas do Sul. Relatos de campo indicam ainda que as temperaturas mais baixas registradas em janeiro causaram amarelamento nas pontas das folhas em algumas áreas gaúchas, sem confirmação de perdas relevantes.
Cotações firmes no principal polo produtor
No Rio Grande do Sul, referência para o mercado nacional, a saca de 50 quilos (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou a quinta-feira a R$ 53,28, alta semanal de 0,42%. O valor representa avanço de 1,01% no mês, mas ainda está 46,41% abaixo do registrado em 2025, reflexo do ciclo de preços mais baixos observado no ano passado.
Perspectivas para o primeiro trimestre
Analistas projetam manutenção do quadro de estabilidade no curto prazo. As cotações tendem a reagir pontualmente a variações climáticas no Sul e a novos movimentos de recomposição de estoques pela indústria. O fraco desempenho das exportações e a concentração do consumo no mercado interno devem seguir limitando maiores avanços de preço, enquanto a recuperação gradual do crédito agrícola pode influenciar o ritmo dos negócios ao longo do primeiro trimestre de 2026.
Com oferta ajustada e demanda ainda cautelosa, o setor monitora de perto o comportamento climático nas principais regiões produtoras para avaliar possíveis impactos na disponibilidade do cereal nos próximos meses.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Portal do Agronegócio
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