A Policlínica do bairro Parque do Lago, em Várzea Grande, voltou a ser palco de violência contra profissionais de saúde. No último domingo (9), uma paciente invadiu o consultório, desferiu golpes com o celular no rosto da médica Brunna de Campos Pinheiro e a ameaçou de morte depois que teve um pedido de receita negado por falta de laudo.
De acordo com o Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso (Coren-MT), trata-se da mesma mulher que, em 12 de janeiro, já havia atacado a enfermeira Angélica Tapajós dos Santos na mesma unidade. A reincidência foi confirmada pelo conselho nesta quarta-feira (11), levantando questionamentos sobre a segurança nas unidades municipais de saúde.
Conselho cobra providências imediatas
Em nota pública, o Coren-MT classificou os dois episódios, ocorridos em intervalo inferior a um mês, como demonstração da “vulnerabilidade dos trabalhadores” e exigiu a implementação urgente de protocolos permanentes de prevenção à violência. O órgão informou que:
- prestará acolhimento institucional e jurídico à enfermeira agredida;
- acompanhará o inquérito policial e o andamento judicial do caso;
- encaminhará ofícios à Prefeitura de Várzea Grande, à Secretaria Municipal de Saúde, ao Ministério Público e à Secretaria de Estado de Segurança Pública;
- defende que agressões contra profissionais não sejam tratadas como fatos isolados, mas como problema estrutural.
“A violência contra profissionais da saúde não é aceitável sob nenhuma circunstância, pois atinge o cuidado, a dignidade do trabalho e o direito da população a um atendimento seguro e humanizado”, registrou o conselho.
Investigação policial
Após o ataque de domingo, a suspeita foi detida e conduzida à Central de Flagrantes. A Polícia Civil apura os crimes de lesão corporal, ameaça e desacato. Conforme o boletim, a paciente reagiu com agressões físicas quando foi informada de que a prescrição solicitada dependia de apresentação de laudo médico.
O primeiro registro policial, de 12 de janeiro, já apontava agressões, ameaças e constrangimentos à enfermeira Angélica dos Santos, mas, mesmo com a ocorrência, a mulher retornou à policlínica semanas depois e repetiu o comportamento violento.
Reforço na segurança
Profissionais que atuam na unidade relatam sensação de insegurança e pedem vigilância armada 24 horas, instalação de botões de pânico e treinamento das equipes para lidar com situações de risco. Até o momento, a Prefeitura de Várzea Grande e a Secretaria Municipal de Saúde não se pronunciaram sobre eventuais medidas emergenciais ou sobre o andamento do processo administrativo interno.
O Coren-MT reforçou que acompanhará de perto as decisões das autoridades competentes e, se necessário, adotará novas medidas para assegurar condições adequadas de trabalho aos servidores da policlínica.
Com o caso sob investigação, a paciente permanece em liberdade vigiada enquanto aguarda possível audiência de custódia. A data da oitiva judicial ainda não foi definida.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Repórter MT
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